Páginas

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Filosofia, estilo de vida, putaria ou o quê?

Caso encontre algum termo desconhecido, recomendo a utilização do meu Glossário BDSM, que está dividido em 2 partes (vide links a seguir): Parte 1 e Parte 2.

Segue abaixo um texto escrito pelo meu querido Marco, quem eu considero meu "mentor não oficial". 
O texto foi postado por ele em alguns grupos próprios anteontem e eu tomei a liberdade de postá-lo na íntegra aqui.
Eu planejava escrever mais alguma coisa pra talvez complementar, mas sinceramente, não tem muito o que dizer sobre o assunto depois de ler este texto.
Divirtam-se.


"Certamente será útil a muitos de vocês, praticantes sérios.
- É quase um testamento, mas espero que leiam.
O resto vai me xingar, claro. Mas que fiquem a vontade. KKKK
'Era uma vez uma FILOSOFIA DE VIDA...
Ela estava lá, voando tranquilamente, até que avistou uma pessoa que se aproximava. Esta pessoa olhou para ela. Sorriu.
Paqueraram então por um tempo.
E daí, a filosofia de vida flutuou até a testa dessa pessoa, atravessou sua fronte e entrou em seu cérebro - passando então a interceptar muito do que ela via, ouvir, lia e até mesmo sentia em sua vida cotidiana - emitindo então suas opiniões sobre diversas coisas ao seu redor.
Dia após dia.
Pelo resto de sua vida.
Parece insólito...? Estranho até...?
Mas, este é o exato modus operandi de todas as filosofias de vida quando adotadas. Incluindo aquelas que eventualmente consistem em dogmas religiosos ou pensamentos políticos.
- TODAS darão suas opiniões sobre diversas coisas... Dirão inclusive o que é certo ou errado em vários aspectos.
E/ou como você deve encarar as coisas.
Daí altera seu comportamento.
- Tudo isso em relação ao mundo ao seu redor. (À sua vida!)
Exemplos de opiniões delas? Vamos lá:
"Animais são nossos irmãos e não devem ser mortos." - Budismo
"Ninguém deveria mandar em ninguém. O governo é podre." - Anarquismo
"O sistema e a monotonia devem ser combatidos." - Cultura Punk
"Nada tem grande sentido. Não espere finalidades" - Niilismo
"Importe-se acima de tudo com a função. O uso prático." - Pragmatismo
Etc... Etc...Etc...
Em resumo? Para entenderem o conceito?
Se altera sua visão do mundo ao seu redor, como um todo?
- Trata-se de uma filosofia de vida.
Para fazer um contraste?
O futebol....
Futebol é um esporte rico e proeminente em nossa cultura.
Com seus diversos times. Rende papo para rodas e rodas de bar.
Tem até gente que só pensa em futebol.
E, claro, o futebol tem suas "opiniões" também:
"Jogadores só usam os pés. O goleiro pode usar as mãos." - Futebol
Além disso? Futebol rende ótimas analogias. Citações.
"Cicrano é um craque!" "Beltrano é bola murcha!" Etc...
Mas...
Futebol não altera NADA em sua vida fora do que diz respeito à ele.
- E muito menos cria qualquer tipo de dogma, código de moral ou conduta que possa ser aplicada fora dele. Na sua vida.
Mais dois exemplos de coisas que NÃO são jamais filosofias de vida?
- BDSM e GOR.
Essas duas coisas podem ser - no máximo - ESTILOS de vida.
E quando o são, isso significa apenas que "você os pratica de forma majoritária".
Ou seja, que estão presentes entre suas práticas, costumes, etc... De várias formas.
- Mas que, assim como o futebol (que também pode se tornar um estilo de vida), só se aplicam de fato à si mesmos.
"Ah, mas eu sou Goreano e GOR, afirmo, é uma filosofia de vida!"
R: SÉRIO? Joga seu PC e seu celular fora então, porque em GOR o uso de tecnologias como essas é PROIBIDO, sabia? E não esqueça de vestir sempre roupas com as cores de sua casta. Todo dia. Beleza?
"Ah, mas BDSM é a filosofia de vida que eu sigo 24x7."
R: Legal! Show de bola! Você costuma assinar seus documentos como Fulano posse de Cicrano ou Lorde Beltrano? E seus parentes e colegas de trabalho, foram convidados para sua cerimônia de rosas?
Amigos? Entendam de uma vez por todas...
BDSM e GOR são práticas que tem seus costumes. Suas regras.
Seus detalhes. São imersivos a beça.
Chegam a ser subculturas extremamente ricas e diversificadas, com amplas comunidades de praticantes!
E neles, muita do que é tabu na sociedade se torna a norma.
- Havendo uma moral completamente distinta.
Mas...
Nada do que existe neles pode - e deve - ficar acima de sua visão do mundo de fora.
"Mas Marco, lá fora tem leis dizendo que sadomasoquismo é agressão ou tortura, dominação/submissão é escravidão, bondage é cárcere privado, etc.."
- Quase, camarada... QUASE...
Agressão e tortura - de fato - é quando uma pessoa fere a outra.
Sem o seu consentimento, sem seu aceite, sem se responsabilizarem. Sem qualquer justificativa e contexto inteligível sobre o ato...
Não fosse isso? Tatuagem, piercing, artes marciais, etc... seriam ilegais!
Dar um tapa em alguém engasgado? Resultaria em prisão!
E aquele professor de teatro xingando no ensaio da peça os seus alunos dentro dos papéis, responderia por injuria... Certo?
Escravidão? É quando uma pessoa é constrangida, intimada, intimidada ou obrigada de alguma forma a servir à outra. - Nada tem a ver com interpretação de papéis em um jogo erótico, aonde qualquer um interrompe a coisa se quiser.
Cárcere privado é quando uma pessoa restringe a movimentação de outra. Novamente? Sem o seu consentimento e sem que essa possa sair ou se soltar. - No bondage, é importante que o Bottom possa sair se ele quiser. (Seja com pedido, palavra de segurança ou acessório que tenha gatilho de liberação - que muitos possuem, principalmente algumas algemas de sex-shop.)
- No mesmo exato sentido, bungee jump, instrução de paraquedas, etc... não são cárcere privado, por mais que a pessoa esteja toda amarrada.
E o mesmo se aplica a um campeonato de escapismo.
Novamente? Não são as regras e o ponto de vista do BDSM que se aplicam sobre o mundo de fora - é de fato o inverso...
É essa a grande importância do C de consensual nas tríades, desde as mais antigas.
E, claro, do K de Kink (fetiche) nas mais extremas.
- São justamente o que traçam a linha entre o mundo de fora e o mundo de dentro, mas fazendo uma ponte entre a "regra de lá" que realmente importa aqui.
E, claro, quanto mais o mundo baunilha e o nosso entendermos o BDSM como "uma brincadeira sensual, erótica e/ou sexual entre adultos", e não como "uma filosofia de vida, para ser levada à ferro e fogo"?
- Melhor!
Mais coerentes, inclusive com as tríades, estamos sendo.
Capiche?' - Don Marco Aliguieri"

sábado, 22 de novembro de 2014

Principais tipos de bottom

Caso encontre algum termo desconhecido, recomendo a utilização do meu Glossário BDSM, que está dividido em 2 partes (vide links a seguir): Parte 1 e Parte 2.

Antes de mais nada, vai um pedido de desculpas pelo tempo longe do blog. A falta de tempo e a preguiça nas horas vagas me impediram de postar antes, hehehehe
Segue então mais uma singela contribuição sobre os principais tipos de bottom.
Deixo claro que existem vários outros e que as próprias definições aqui escritas podem - e com certeza tem - muitas diferenças e variedades, bem como definições próprias, de acordo com a experiencia e vivencia de cada um. Espero que gostem.


PRINCIPAIS TIPOS DE BOTTOM


O QUE É?

Segundo a definição do dicionário Merriam-Webster:

bot.tom  \’bä-təm \

1. parte mais baixa (de um contêiner, do mar), fundo
2. traseiro


No BDSM, bottom é o parceiro que assume o papel de recebedor das práticas, e.g. bondage, disciplina, humilhação, dominação, sadomasoquismo, etc.
O termo tem origem na comunidade gay, significando o parceiro receptivo, o que está por baixo.


O QUE FAZ?

Como a definição já conclui, o papel do bottom é receber as ações praticadas pelo Top.
De acordo com a enciclopédia online da London Fetish Scene, o bottom é, geralmente, o parceiro que dá as instruções, i.e., eles indicam ao Top o que pode acontecer e em que momentos podem acontecer. Isto pode sofrer variações em uma ampla escala de “quantidade de comandos recebidos pelo bottom”, que definirá sua classificação.

É importante ressaltar que NEM TODO BOTTOM É SUBMISSO AO TOP.


TIPOS DE BOTTOM


NO BONDAGE/SHIBARI(KINBAKU)

Os nomes podem variar de acordo com a ênfase no tipo de restrição.

Cativo – É a pessoa que está amarrada, acorrentada ou aprisionada.
Prisioneiro – É o termo preferencial em casos onde o foco seja o aprisionamento ao invés da contenção direta.
Vítima – É a definição dada em situações onde a ênfase é dada aos castigos sofridos pelo bottom contido.
Dorei – A tradução literal significa “escravo”. Dorei são bottoms do Shibari/Kinbaku, mas diferenciam-se dos bottoms do bondage na questão da servidão. Doreis pertencem ao Kinbakushi/shibarista e estão ali para servir ao propósito do artista das cordas, seja este qual for.

Nenhum destes termos significa que a pessoa está relutante ou de má vontade, ou seja, estes termos DEVEM SER APLICADOS APENAS em situações de CONSENSUALIDADE.



NA DISCIPLINA

Brat – A tradução literal de brat seria algo próximo de pirralho, no sentido pejorativo da palavra. No BDSM, brats são bottoms que têm por hábito responder, desafiar, serem consideravelmente desobedientes, mas sem  faltar com o respeito. Brats jamais se submetem. O Objetivo é ser subjugado. Ao contrário do que se pensa, não é uma busca por atenção, mas sim algo que poderia ser lido, de maneira mais simplista como um "Mande se puder. Conseguiu? Vamos ver por quanto tempo". O que é, aparentemente, uma péssima qualidade pra um submisso, pode, na verdade, divertir alguns Tops – dadas as devidas proporções – e ser um componente importante na relação envolvendo a troca de poder.


NA DOMINAÇÃO

Submisso – Também chamado pela forma abreviada “sub”, é um termo que define uma pessoa que abriu mão do próprio controle e se satisfaz com essa entrega. Submissos podem variar no grau de seriedade, treinamento e situação que assumem e se encontram. Pode ser motivado pelo alívio da responsabilidade, busca por uma sensação de segurança, tornar-se um objeto de atenção e afeição, excitação sexual proveniente de humilhação e até mesmo para demonstrar resistência e perseverança.
Também podem variar no aprofundamento da interação na play, na frequência das plays e até mesmo se consideram o papel de submissão uma questão de plays ou não.

É um termo que pode definir estritamente um bottom na relação de dominação e submissão ou pode ser utilizado de maneira mais generalista para situações variadas onde o bottom abdica dos direitos de tomar as próprias decisões. Todos os termos inclusos na categoria “Dominação” podem ser considerados submissos.

Alpha Sub – é uma posição que só pode existir quando um dominador tem mais de um submisso. Neste caso, o Alpha sub é o submisso a quem é garantido mais respeito e, consequentemente, um certo poder sobre os outros submissos. Geralmente é o submisso mais antigo, mas isso não é uma regra.

Escravo – O ponto extremo da submissão. É tido como “ponto de conhecimento geral” o fato de que, em comparação com subs, escravos entregam o controle mais amplamente ao Dono – ou Mestre. Escravos geralmente não têm, após a negociação, o direito de renegociar, bem como o controle da hora de forçar a barreira dos limites – estes são, por sua vez, definidos pelo dono.
Do ponto de vista do comportamento, escravos costumam ser privados de se sentarem ao mesmo nível do dono, mantendo-se geralmente ajoelhados ou sentados no chão, aos pés do dono.
É comum a citação de que escravidão é um estilo de vida e que escravos não o são por opção, mas por uma necessidade interna que só é saciada pela servidão inconteste.
Escravos geralmente não fazem uso de safeword, dando a concessão absoluta de controle para o dono.
Escravos também podem ser “classificados” (num sentido bem amplo da palavra) em categorias de função: utilitários e/ou sexuais. Sendo o primeiro, um tipo de escravo que realiza tarefas sem conotação sexual, independente da vestimenta – ou ausência da mesma – como escravos domésticos, que são o tipo mais comum e têm como tarefas básicas a manutenção da residência do dono, limpeza, etc. O segundo tipo, realiza tarefas puramente sexuais, sejam estas com o dono ou não, de acordo com a ordem deste, óbvio.
É importante salientar que escravidão não é, necessariamente uma Relação TPE (Total Power Exchange) e o escravo pode – ou não – residir com o dono, bem como pode – ou não – ter um trabalho fora do relacionamento, estudar, se manter e tomar conta das próprias finanças.
Cabe reforçar também que escravidão, no sentido basal da palavra, é terminantemente proibida por lei e rejeitada moralmente. Escravidão no âmbito do BDSM é um comportamento consensual, sendo vedado ao escravo o direito irrevogável de entregar a coleira e sair do relacionamento a qualquer momento (alguns consideram que este é o único direito real do escravo).

Pet – São considerados por alguns como um nível mais profundo de escravidão, onde o bottom abandona o comportamento humano e passa a agir como um animal. Os mais comuns são canídeos (cães, lobos, raposas), felídeos (gatos, tigres, leões) e equídeos (cavalos e pôneis). Este último pode ainda ser dividido em 3 categorias:
Pôneis de carroça – geralmente são atrelados a uma pequena carroça onde o dono se posiciona para ser puxador pelo pet.
Pôneis de montaria – São montados pelos donos e os levam – tanto sobre 2, quanto sobre 4 pernas – na parte posterior das costas ou nos ombros.
Pôneis de exibição – São apenas para exibição de vestimenta ou de adestramento.

SAM (Smat-ass masochist) – Literalmente, Masoquista espertinho. É o submisso que também é masoquista e exibe um comportamento ruim (e.g. sarcasmo, responder, desobedecer) de maneira a receber atenção e se fisicamente castigado posteriormente.

Baby e Little – São bottoms do infantilismo, uma subvertente do Age Play.
Enquanto Babies retratam, literalmente, bebês e usam fraldas, chupam chupetas, desenvolvem uma linguagem (ou falta dela) própria, Littles retratam crianças pequenas, geralmente acabam definindo para si uma idade específica e regulam seu comportamento de acordo com tal.


NO SADOMASOQUISMO

Masoquista - É alguém que gosta de sentir dor, geralmente num âmbito sexual. É um tipo de bottom que, quando exclusivamente masoquistas, se recusam a se submeter, buscando apenas a relação S/M. Masoquistas extremos apresentam uma fisiologia diferenciada quanto à descarga hormonal liberada durante as práticas que envolvem dor. Os níveis de testosterona tendem a cair vertiginosamente, enquanto a adrealina e endorfinas - que causam prazer e podem, literalmente, viciar - são liberadas volumosamente na corrente sanguínea, provocando um estado de euforia e prazer, assim como a percepção do ácido láctico na musculatura, que causa a mesma sensação de prazer de alguém que acabou de sair da academia.
Existem ainda outros hormonios, como serotonina e melatonina que podem ser liberados em situações emotivas ou estressantes, o que, quando bem trabalhado, pode ser uma forma de reforço positivo que levarão à busca pela repetição de tais sensações.


Segue abaixo um diagrama indicando, de maneira generalista, a posição e a “profundidade” de cada tipo de bottom.



quarta-feira, 25 de junho de 2014

Da busca pelo material. Ou: Estudar. Onde, como e quem-será-que-faz-isso?

Caso encontre algum termo desconhecido, recomendo a utilização do meu Glossário BDSM, que está dividido em 2 partes (vide links a seguir): Parte 1 e Parte 2.

Sempre fui consideravelmente dominante nas minhas relações, com ressalvas a alguns momentos - e a um namoro específico que foi péssimo – mas a descoberta do meu eu-dominador, como já relatado, foi recente. A partir daí, começam as dúvidas e a busca pela solução e é desta busca que vou falar neste post.

Bom, o primeiro passo foi o mais difícil: descobrir o nome do que estava buscando. Ninguém acorda num belo dia e pensa “BDSM”. Esta parte, eu sinceramente não sei como acontece. Depende de ter sorte do assunto surgir, de ter algum conhecido que goste, de ter coragem de falar com alguém, enfim, são milhões de possibilidades...
Inicialmente, fui pro Google, aquele-que-tudo-sabe, e comecei minhas pesquisas. Inicialmente de modo bastante lento, sem saber direito no que confiar, no que tomar como verdade e o que seguir. Buscando termos, explicações básicas, et Cetera.
Em seguida, o passo natural pra mim foi buscar um grupo que viva isso, que conheça o tema. Ou seja, pessoas reais que possam me dar dicas pessoalmente ou virtualmente. Hoje em dia, o maior meio social do planeta é o Facebook, então corri pra lá e fui buscar os grupos. Você está aqui, ergo já passou desta parte.

No meu tempo fetichista pré-Facebook, tinha visto a palavra Fetlife em algum fórum, e achei que fosse um termo relacionado à pessoas que vivem o estilo. Pouco tempo depois de entrar no Facebook, a mesma palavra apareceu, mas mais especificada. Descobri então uma rede social internacional totalmente direcionada ao universo fetichista.
O Fetlife é, a priori, um tanto quanto complicado. Tem uma interface totalmente diferente das que estamos e estávamos acostumados aqui no Brasil, um sistema de grupos consideravelmente diferente e até mesmo a construção do perfil é diferenciada. Caracterizações de sexo, tipos de relações, posição no meio fetichista, fetiches que gosta e posição relativa à eles... É um mundo muito mais profundo e maravilhoso. No entanto, apesar de existirem grupos e pessoas brasileiras, o Fetlife é, essencialmente, em inglês, o que o torna um tanto quanto restritivo.

Ok, achei os textos, e aí?
Aí você lê tudo que puder. Leia muito, mas muito MEEEEEESMO. Pegue cada segundo livre do seu dia e mergulhe neste mundo.
Sim, ele é interminável. 
Sim, quanto mais você lê, mais descobre coisas pra ler.

Poxa, mas eu não sei inglês! =(
Aí, meu amigo, suas fontes de pesquisa vão cair drasticamente. O Brasil ainda é consideravelmente atrasado e não temos nem 10% do material disponível lá fora.  Você vai ter um esforço bem maior pra conseguir tirar proveito, mas pelo menos terá a vantagem de, teoricamente, poder entrar em contato com os autores e tirar dúvidas mais facilmente.

Beleza, já li bastante, já tenho uma base razoável. Agora falta a parte mais legal. A prática. O que eu faço?
A esta altura, já deve conhecer pessoas da sua região e já deve ter conhecimento dos eventos que acontecem. Caso não tenha ido a nenhum, Pegue sua vergonha, ponha num envelope, guarde no fundo do armário e VÁ PARA AS FESTAS!
As festas são sua melhor oportunidade pra conhecer melhor as pessoas, fazer novos amigos, observar cenas, apetrechos, comprar equipamentos e, principalmente, caso você já tenha conhecidos e/ou amigos no meio, aprender como se comportar e, talvez, pôr em prática a teoria, caso tenha alguém disposto a te ensinar alguma coisa na hora.

Caso você seja um Top, tem sempre um outro dominador (ou dominadora) que, caso goste de você, não se incomodará em ceder a submissa ou a escrava para uma cena rápida onde você pode praticar seus primeiros golpes (não gosto da palavra, mas não achei uma melhor agora, sorry).
Caso seja uma bottom, Pode requisitar a um Top de confiança (SEMPRE peça referencias. SEMPRE.) para aplicar os primeiros golpes em você.


Tá legal! Zas! Zas! Agora eu comecei, como continuo? Não sei mais onde procurar coisas, tenho algumas curiosidades e tenho medo de fazer besteira.
No cenário improvável de ainda não ter encontrado um mentor (ou um treinador), esta é a hora de buscá-lo(a). Sobre isto, é só olhar o post anterior : http://dilemasdeumdominiciante.blogspot.com.br/2014/06/do-mentor-e-do-protetor-quem-e-quem-e.html.
                   Só um detalhe – para bottoms, principalmente : mentores, treinadores e protetores NÃO TÊM ENVOLVIMENTO SEXUAL. Caso o mesmo exija, corra dele(a)!


Neste ponto, você já estará encaminhado e já deve ter bom senso e discernimento suficiente para ver o que é bom ou não para você e como alcançar as respostas para suas perguntas.
O importante é não parar de estudar nunca. Mais importante ainda é, como me foi dito um tempinho atrás: "cuidado pra não virar um expert em teoria, mas só teoria, hein?! AÇÃO, Gabriel! AÇÃO!".
Esta é a alavra chave: AÇÃO. Ação de pesquisar, de procurar, de ler, de treinar, de praticar, de curtir.
A partir daí é só alegria.

Seguem nomes de livros de grande valia para o aprendizado sobre este universo excitante e pervertido.
·         História de O – Pauline Réage
·         O diário de uma submissa – Sophie Morgan
·         Screw the Roses, send me the Thorns – Philip Miller e Molly Devon
·         SM101 - A Realistic Introduction – Jay Wiseman
·         The Ultimate Guide to Kink – Tristan Taormino
·         The Ethical Slut – Dossie Easton e Janet W. Hardy
·         The Leatherman’s Handbook I e II – Larry Townsend

Outros caminhos de pesquisa estão nos inúmeros blogs e sites colaborativos (alguns deles listados aqui ao lado -> ).

Espero que este texto te ajude a pesquisar, caso você seja um iniciante mais iniciante que eu, te ajude a rever seus passos e te inspirar a trocar informações caso esteja “no mesmo degrau que eu” e, caso tenham mais dicas, por favor, não deixem de comentar.


Até a próxima.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Do Mentor e do Protetor. Quem é quem e qual a função de cada um?

Caso encontre algum termo desconhecido, recomendo a utilização do meu Glossário BDSM, que está dividido em 2 partes (vide links a seguir): Parte 1 e Parte 2.

Recentemente observei alguns posts no Facebook discutindo o papel do Mentor e muitas vezes, isto gerou confusão e discussão e, no fim das contas, ninguém saiu do lugar.
Como sempre, não pretendo ser o dono da verdade, apenas exponho meu ponto de vista baseado em pesquisas no material gringo.

Ambos os papéis podem ser assumidos tanto por Tops, quanto por bottoms e, obviamente, por Switchers. No entanto, o papel de Mentor é, geralmente, de igual para igual – ou seja, de Top pra Top, sub pra sub – e o papel de Protetor é, geralmente, de Top pra sub. Ou seja, a relação de Mentor-mentorado é, geralmente, horizontal, isto é, entre dois iguais; e a relação Protetor-protegido é, geralmente, vertical, ou seja, entre um comandante e um subordinado.

Vou abordar, inicialmente, o Mentor e, em seguida, o Protetor. É uma decisão sem motivo, mas caso alguém deseje um motivo, pode ser por ordem alfabética ou apenas por antiguidade conceitual.

MENTOR:

De acordo com o dicionário Priberam:

men.tor |ô|(latim Mentor, -oris, do grego Méntor, antropônimo)
Substantivo masculino
1. Guia e conselheiro de outrem.
2. Pessoa que inspira outras.

O usuário Morgan utiliza no Dominant Guide (vide páginas recomendadads) a definição do Dicionário Merriam-Webster, a qual trancreverei a parte que convém à equitatividade linguística:

men.tor (substantivo) alguém que ensina ou auxilia e aconselha outro menos experiente e normalmente mais novo.
 1. Capitalizado: um amigo de Odisseu, responsável pela educação do filho de Odisseu, Telêmaco.
2a. Um conselheiro de confiança ou guia; b. tutor, treinador.

Histórico

A mentoria é uma prática cujas origens estão perdidas na antiguidade. A palavra que a define, no entanto, deriva de um personagem da obra de Homero, “A Odisséia”. O personagem em si, é um homem um tanto quanto insignificante, porém, Atena assume sua aparência para guiar e aconselhar o jovem Telêmaco em momentos de dificuldade.
Sistemas de mentoria incluem os gurus-discípulos no budismo e induísmo, anciãos-aprendizes em sistemas religiosos como rabinos e padres no judaísmo e cristianismo, respectivamente.

Quem é e por que eu preciso de um mentor?

Um mentor é necessário para as boas práticas do BDSM? Sinceramente, não. Isto não quer dizer que ter um mentor seja ruim. Ao contrário, ter um mentor é extremamente útil e proveitoso. É bom ter alguém mais experiente que possa direcionar e explicar coisas em geral, como comportamento, ou específicas, como técnicas.
Existem pessoas que nos ajudam no começo, que tem paciência e tempo para explicar o funcionamento desta nova vida, e devemos grudar nestas pessoas e sugar todo o conhecimento que estiverem dispostos a transmitir, seja sobre a comunidade, ética, literatura e práticas.
Na ausência de uma pessoa para nos guiar, o cuidado deve ser ligeiramente maior, assim como o esforço. A busca por material “didático”, comparação de fontes, a lentidão do avanço, a habilidade para vislumbrar oportunidades e para afirmar seu lugar no meio são muito mais complicados.
Um mentor pode ser (e é!) uma grande ideia, seja através de um pedido para ser aprendiz de alguém mais experiente, seja cultivando amizades com pessoas mais experientes. Tais pessoas podem te ajudar a estruturar plays, relacionamentos, bem como evitar algumas armadilhas que surjam no caminho.
A função de um mentor pode ser vista como a de dois iguais, um ajudando o outro, facilitando o desenvolvimento do mesmo. Alguém que decide doar seus conhecimentos para o bem maior, que é a propagação das boas práticas. É lapidar o talento do menos experiente, torná-lo um indivíduo melhor naquilo que pratica.
Kim Debron (ver Páginas Recomendadas) diz que “um bom mentor não dirá “Eu vou lhe ensinar a ser como eu”, mas sim “Eu vou lhe ajudar a ser quem você quer ser”.
O mentor tem a obrigação de acompanhar, dar atenção, sanar as dúvidas, ensinar técnicas e conceitos e, principalmente, assegurar que o mentorado se torne um indivíduo eficiente naquilo que faz e que faça com ética.
Ter um mentor, no entanto, não implica na autorização para irresponsabilidade e falta de atenção. O mentorado tem uma responsabilidade maior que a do auto-didata, hja visto que recebeu conhecimento direto da fonte, e deve assegurar-se de que está fazendo o melhor uso possível dos conhecimentos adquiridos, bem como de observar sua conduta para honrar e enaltecer a figura e o nome de quem lhe despendeu tanto esforço.

Mentor X Professor

Um professor te ensina uma técnica ou te ajuda a desenvolver uma habilidade que será útil para a vida, enquanto um mentor tenderá a te ajudar a determinar sua própria maneira de enxergar o mundo do qual você escolheu faze parte. Um mentor ensina através do exemplo, é uma pessoa que você almeja se tornar parecida, emular.
Um professor não se envolve tanto na sua vida quanto um mentor, pois, geralmente, ensina para uma turma, enquanto um mentor trava uma dinâmica privada, tornando o ensino-aprendizado uma prática muito mais íntima e pessoal.

Mentor X Treinador

O papel de um mentor não deve ser confundido com o papel de treinar um submisso ou se tornar o Dominador de alguém. Se denominar “mentor” não dá a ninguém o direito de tirar vantagem e tomar liberdades com a pessoa mentorada.
O mentor não deve entrar em uma play com a pessoa mentorada, pois isso mudaria o status para treinador, parceiro de play ou potencial dominador.

Da busca por um mentor

Em todas as instancias da vida, se você deseja ter conhecimento sobre um tipo específico de assunto ou se deseja conhecer um perfil específico de pessoa, o melhor a se fazer é entrar no meio, se associar à comunidade.
Com o BDSM não é diferente então, na busca por um mentor, o ideal é estar conectado com a comunidade, seja virtual ou real – apesar de real ser melhor. Afinal, você não fará amigos no BDSM sem estar onde os praticantes de BDSM estão, certo? (Provavelmente tratarei deste assunto em um futuro próximo).
Independente da porta de entrada na comunidade, a busca por um mentor deve ser a busca por uma pessoa que seja um bom professor PARA VOCÊ, ou seja, alguém com quem voe se dê bem, que tenha gostos semelhantes. Nem sempre a pessoa com maior reputação ou maior fama será a ideal (se for, ÓTIMO!).
Legal, Rasputin, mas o que isso quer dizer? Quer dizer que se você for sádico, um sádico é melhor pra você que alguém mais ligado em disciplina e controle emocional (ou psicológico s’il vous plait), se você tiver mais interesse por dominação pura e simples (simples?!) o melhor é buscar alguém que tenha um relação ou que tenha mais conhecimento nesta “modalidade”. Se você é novo e não conhece nada ainda, busque alguém que tenha conceitos éticos semelhantes aos seus, alguém que possa te apontar na direção certa quando tiver um interesse específico.
Resumindo, existem 4 pontos-chave na “avaliação” de um bom mentor para você:
1. Ele tem as mesmas crenças que você?
O seu mentor deve ter as mesmas definições dos termos comuns que você (e.g. Se ele considera submiss# e escrav# a mesma coisa e você não, em algum momento você pode ter problemas de compatibilidade ao levantar             questões neta linha de raciocínio).
2. Ele está aberto e disponível a deixar você falar ou te pressiona com perguntas?
Um bom mentor saberá a hora de fazer perguntas adequadas e aceitará o seu silencio enquanto você estiver organizando seu raciocínio. Em suma, ele te deixará ter o seu tempo, e saberá a melhor hora de cada coisa.
3. Ele é profissional e ainda assim é uma pessoa agradável para estar perto?
O mentor deve ser uma pessoa que te deixe confortável para falar do que vier á sua mente.É trabalho dele deixar o novato confortável com as novas experiências.
4. Ele parece saber do que está falando?
Mentores não saberão tudo de tudo, mas serão bem versados em uma gama de aspectos que novatos tem curiosidades. Se o seu mentor não tem conhecimento sobre muitas das coisas sobre as quais você tem curiosidade, talvez ele não seja o melhor para você.
Um bom mentor estará preparado para responder às suas perguntas, ainda que isto signifique que ele teve que ir pesquisar sobre o assunto para poder te responder. Alguém que não está disposto a trabalhar para você e com você, não está levando seu crescimento tão a sério.

Tudo isso pode parecer muito julgador – e, de fato, é! – mas lembre-se de que isto envolve o SEU desenvolvimento enquanto dominador/submisso.
Nem sempre o cara famoso é necessariamente confiável, honesto ou ético. Provavelmente é, ou não seria famoso, mas às vezes isto não é verdade. Não parece de utilizar seu senso crítico só porque está falando com alguém “famoso”. Se a maneira dele ver ou fazer as coisas – ética ou moralmente – não for aquela que você acha agradável, está na hora de buscar outra pessoa.

Quando eu posso ser o mentor de alguém?

Se você tiver experiência em alguma coisa, você pode ajudar pessoas menos experientes a encontrarem o caminho delas, assim como fizeram com você. Alguém recém chegado pode aprender com você sobre o Fetlife, sobre os grupos do Facebook, localização dos munches e das festas, cursos, e até mesmo quais pessoas pode procurar para um determinado assunto.
Ser um mentor requer conhecimento, não só da prática específica, mas também deve saber se comunicar e saber ensinar. O mentor deve ser um professor e deve ser confiável o suficiente para ser um confidente quando necessário.
Ser um mentor significa disponibilizar tempo.
Se mentorar não é o que te move, você sempre pode ser honesto e dizer “não”. Talvez apontar a pessoa para a direção certa de alguém que possa ser útil e pronto.
O importante é ser honesto com você e com os outros sobre o que você sabe e o que não sabe. Mentorar não é para inflar seu ego, mas para ajudar os outros.
Existem técnicas para mentorar que são utilizadas no mundo dos negócios, mas só vou citar os nomes para evitar que o caos se instale. Rsrsrs
1. Accompanying (Acompanhamento), 2. Sowing (Semeadura), 3. Catalyzing (Catalização), 4. Showing (Demonstração), 5. Harvesting (Colheita).


PROTETOR

Segundo o Dicionário Priberam:

pro.te.tor |ètô|
adjetivo
1. Que protege (ex.: camada protetora de ozônio).
substantivo masculino
2. O que protege.

Segundo o Dicionário Merriam-Webster:

pro.tec.tor (substantivo): uma pessoa ou objeto que protege alguém ou alguma coisa.
 1. a. Aquele que protege: guardião
b. Um dispositivo usado para prevenir injúrias: guarda


O que é um protetor?

Nas palavras do Morgan: “... o mundo está cheio de pessoas, lugares e coisas perigosas – cascas de banana para escorregar e texugos raivosos espreitam a cada esquina. Como pode um adulto proteger outro no mundo crescido, especialmente em um mundo online ou pessoalmente em uma comunidade BDSM?”.
Mistress Savannah diz em seu blog (ver Páginas Relacionadas) que algumas regras básicas devem ser postas na mesa, bem como algumas perguntas devem ser feitas e respondidas.
Protetor não é um termo que se refere a casais ou a pessoas que tem um relacionamento BDSM, mas sim a pessoas cujo relacionamento BDSM é inexistente, pelo menos no momento.
Proteção é um compromisso sério, onde uma pessoa se torna responsável pela segurança da outra em um ambiente BDSM. O protetor deve orientar, esclarecer e auxiliar. Para tal, o protegido deve acatar os conselhos e obedecer à autoridade do protetor sempre que possível.

Por que eu preciso de um protetor e como deve ser o processo?

Antes de mais nada, deve ser verificado o motivo, a necessidade da proteção. A pessoa se sente ameaçada, agredida, está sendo perseguida ou só vai para um evento específico?
O status de proteção pode gerar confiança e assegurar que alguém novo, incerto da capacidade de negociação e/ou de definir limites, seja iludido e que alguém tire vantagem dele/dela, ou ainda para reduzir o medo de ser iludido e de que seja tirada vantagem dele/dela. Se uma pessoa tem medo se sofrer abuso, isto afetará suas interações e isto torna mais provável ainda que ela seja vitimizada, então, um apoio cai bem.
Uma vez estabelecido o motivo, a amplitude da proteção é o próximo passo a ser verificado. Será apenas online ou vai ser expandido para o mundo real também? Sendo real, vai ser apenas em um evento, ou em vários eventos, ou a qualquer momento? Existe um abismo entre enviar um inbox para uma pessoa que esteja importunando o protegido, e estar lá fisicamente para impedir qualquer ação do abusador.
Geralmente, proteção não quer dizer “estar lá fisicamente e proteger de um agressor”, mas pode chegar a ser. O protetor pode avaliar possíveis parceiros de play – um acordo onde o protegido só pode se encontrar com alguém novo após este ter tido contato pelo protetor, por e-mail e/ou telefone, ou ainda antes do protegido ter uma sessão com o desconhecido, este deve se encontrar previamente com o protetor. O protetor pode ser uma simples desculpa para o protegido declinar uma abordagem em um evento, ou ainda pode ser um conselheiro e confidente do protegido.
Uma vez estipulado o limite da proteção, o protetor deve ter em mente que, caso seja apenas online, sua função é desnecessária, posto que não possa ter atitudes em situações onde o abusador não para só porque o protetor mandou; ou começa a abusar e agredir o próprio protetor; ou ainda consiga tomar posse dos dados pessoais do protegido e apareça na porta da casa do mesmo ou em qualquer ambiente físico onde o protegido esteja.
Definidos os problemas acima, o protetor ideal deve morar perto e/ou ter contatos de confiança por perto do protegido, para assegurar que, caso algum problema ocorra, a proteção será mantida.
Parece exagero? Sim, mas não é.
Na pior das hipóteses, quem aborda o protegido saberá que este não está sozinho e tem alguém para apoiá-lo. Não que isto seja uma barreira para quem não agir com ética.
O protegido, no entanto, deve ser responsável e saber acatar as indicações do protetor. Pode sentir-se contrariado ao ter um veto indo contra os interesses próprios, mas o bom senso deve ser utilizado.
É evidente que pretendentes vetados por um protetor também possam se sentir contrariados, mas estes devem estar cientes de que estão pisando no terreno de outro Top.

O que não é um protetor?

Como diz o Senhor Coltrane (Casa Coltrane - ver Páginas Relacionadas), a função do protetor não deve ser a de “Dono Freelance”. O papel de protetor é quase como um tutor à moda antiga (aquele que fica responsável por órfãos na ausência de familiares). Sendo assim, é inadmissível que o protetor tenha qualquer tipo de relação com o protegido, visto que este é mais frágil e se subjugaria á autoridade, fazendo disso uma relação “incestuosa” (Isto não se enquadra, obviamente, no contexto onde o Dom/Dono protege a submissa/escrava, como citado no início desta seção).
Quer seja um anúncio público de proteção, quer seja um acordo privado, a proteção não é um acordo permanente. É de se esperar que seja como ensinar, mentorar, ser pai/mãe e/ou várias outras “profissões” semelhantes, onde, caso o trabalho seja bem feito, o aprendiz/protegido será, eventualmente, capaz de se cuidar sozinho.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Antes de aceitar ser um mentor ou um protetor, o indivíduo deve ponderar cuidadosamente, deve avaliar o outro e assegurar-se de que é capaz de ensinar, proteger e garantir que o outro siga o caminho indicado, ou o mais próximo disso.
Tanto o mentor quanto o protetor tem o direito de encerrarem sua relação com o aprendiz/protegido a qualquer momento, caso não concordem com as atitudes dos mesmos.
Antes de aceitar ser um mentor, deve se assegurar de que tem capacidade para ensinar e transmitir o conhecimento de forma clara e concisa.
Antes de aceitar ser um protetor, deve se assegurar de que pode, efetivamente, dar apoio e segurança.
Da mesma maneira, antes de requerer um mentor, o indivíduo deve estar confiante na escolha e deve ter na consciência a responsabilidade de manter o bom nome do mestre. Assim como antes de requerer proteção, o indivíduo deve estar ciente de que o mesmo terá atitudes que nem sempre serão de seu agrado, mas serão tomadas visando o benefício maior.

Ambas os papeis têm uma responsabilidade gigantesca, devendo o mentor ou o protetor manter uma conduta exemplar, ética, moral e cordial, além de um bom senso sem tamanho.

Não deve ser esquecido, em nenhum momento, que a responsabilidade final é do protegido/mentorado, podendo acatar, ou não as ordens/conselhos dos referidos mestres, e devendo ter a capacidade de distinção entre uma boa pessoa e uma má pessoa, aproximando-se da primeira e afastando-se da última, caso seja comprovado por falha de caráter no cumprimento do papel.



É isso pessoal. Até a próxima!