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sábado, 21 de fevereiro de 2015

Mas afinal, o que é BDSM?

Caso encontre algum termo desconhecido, recomendo a utilização do meu Glossário BDSM, que está dividido em 2 partes (vide links a seguir): Parte 1 e Parte 2.

Alguns dias atrás, recebi um pedido: escrever um post sobre o que é o BDSM de um jeito que um iniciante pudesse entender do que se trata e ter um caminho por onde começar. Esse texto também foi postado no site do Castelo BDSM.


O QUE É?

BDSM é um termo que se refere, geralmente, a práticas, atividades e/ou relações onde existe um desequilíbrio proposital na distribuição do controle e do poder, onde, na maioria das vezes, um assume o controle e direciona e conduz o outro por práticas intensas tanto física quanto psicologicamente.
Está ligado, como um termo "guarda-chuva" para certos tipos de comportamentos eróticos e/ou sexuais entre adultos e preza sempre pelo consentimento e pela busca do prazer.

Eróticos, sexuais, prazer? Então BDSM tem a ver com sexo?
Não necessariamente. BDSM pode envolver sexo para algumas (muitas) pessoas, mas para muitas outras pode ser apenas uma maneira mais "assanhada" de preliminares ou, pra alguns outros, ainda podem ser motivadas por motivos completamente distintos do sexo.

Bacana, tio, mas o que são essas letras aí?
Essas letras formam uma sigla que une 3 outras siglas menores: BD, DS e SM.


E o que são essas palavras?

- Bondage está explicado aqui

- Disciplina é uma categoria de atividades onde a imposição do controle e a desobediência e os desafios são postos em prática constantemente. O controle e a imposição da disciplina podem se dar de diversas maneiras, sendo a mais comum, a utilização de práticas ligadas à vertente SM, bem como o conceito de castigo e recompensa.

- Dominação e Submissão são uma forma de relação (mesmo que seja apenas durante uma sessão) onde os parceiros assumem postos hierárquicos de níveis desiguais, onde o de posto inferior (submisso) delega alguma forma de poder e autoridade ao "superior" (Dominador), e este comanda e controla as ações que irão ocorrer. 

- Sadismo e Masoquismo são práticas onde um sádico inflige dor, sofrimento e/ou humilhação no masoquista e ambos sentem prazer nisso. A quantidade, intensidade ou o tipo de dor não influenciam na definição de cada um (sádico ou masoquista), desde que o prazer seja efetivo nestas práticas. Algumas praticas podem ser vistas aqui e aqui.


ORIGEM

Bandeira do Orgulho Leather
O BDSM teve origem nos grupos da subcultura Leather, um grupo gay que aglutinava militares no pós-guerra da II Guerra Mundial, que se reuniam em motoclubes, bem como os motociclistas e os entusiastas de pessoas que usavam roupas de couro.
Este grupo existia desde o início dos anos 1940, e tomou mais força no início dos anos 50 com a revolta contra o sistema mainstream e se aproveitando do visual revoltado de Marlon Brando em "O Selvagem" com jaqueta de couro e quepe para se desvincularem da ideia de que homossexuais deveriam ser necessariamente efeminados.
Graças à manutenção da cultura elitista e à cultura popular (como o Teatro Musical), os grupos da comunidade Leather emergiram dos clubes de motociclistas, se tornou referencia simbólica e "point" para os praticantes do sexo mais "excêntrico" e do Sadomasoquismo.

A grande quantidade de protocolos e rituais militares variava ao longo do tempo e dos locais onde as pessoas se reuniam, e, com o tempo, a cultura leather foi tomando espaço e se tornando cada vez mais popular. 
Em 1972, Larry Townsend escreve o livro considerado a grande base da história do grupo Leather e, posteriormente, do BDSM: The Leatherman's Handbook.





Em 1978 Rob Halford, vocalista da banda Judas Priest começa a vestir roupas de couro no palco, trazendo a influencia do heavy metal para a comunidade Leather e vice-versa.


No mesmo ano, o grupo Village People estoura seus maiores sucessos "Macho Man" e "Y.M.C.A", tendo como tema principal a comunidade gay, e como representante da comunidade Leather o integrante Glenn M. Hughes, como o motociclista.




No começo dos anos 1980, grupos de lésbicas se juntam à comunidade Leather, até então exclusivamente gay, e então, no fim da década, com o surgimento e o boom da internet, a facilidade de comunicação e de difusão do assunto aumentou exponencialmente.
Sex-shops pegaram carona na ideia e o nicho dos brinquedos "leather" - ou SM, como já eram comumente chamados nesta época - também sofreu uma expansão considerável.

No início dos anos 1990, o BDSM chega ao Brasil, tendo o foco principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro como um grupo integrado (SOMOS) que, após divergencias ideológicas e interpessoais, se subdividiu, com participantes indo e voltando diversas vezes de um grupo para o outro, mas sempre mantendo o objetivo de difundir o BDSM no país.
Durante esta década, com o segundo boom digital, o surgimento de filmes mainstream que incluiam cenas ou temáticas fetichistas em seus enredos fez com que o tema fosse cada vez mais se difundindo e deixando de ser um tabu, mantendo-se este avanço durante os anos 2000 e com uma expansão acelerada nos últimos 3 anos.


BASES

Nos anos 80, com o crescimento da internet, nos foruns online, muitas discussões e debates foram acontecendo em busca de um equilíbrio e de definição de "regras" pra prevenir que pessoas sofressem abusos e para "uniformizar" e tornar a comunidade um grupo mais conciso e coeso, teve início a criação da primeira Base do BDSM.

Em 1983, David Stein, um escravo de New Jersey, visando distinguir o tipo de S/M apreciado por ele na época da visão de "comportamento abusivo ou neurótico e autodestrutivo" que era normalmente associada com o termo sadomasoquismo, resolveu se apropriar de um termo bastante comum e muito utilizado em eventos na época, (São e seguro) visando que todos se divertissem de maneira sadia e segura, e adicionou mais uma palavra que se tornou a palavra-chave de todo o BDSM: Consensual.

SSC - Safe, sane, consensual. Seguro, são, consensual.

Seguro: Garantido, prudente, CUIDADOSO. Deve-se tentar identificar e prevenir riscos à saúde.
São: Sadio, saudável, SENSATO. Atividades devem ser feitas em um estado mental sensato e sadio.
Consensual: Autorização, permissão, ACORDO. Todas as atividades devem envolver o consentimento integral de todos os envolvidos. (Isto não isenta ninguém de responder criminalmente por danos causados na Legislação Brasileira)


Ao longo do tempo, o termo "SSC" foi ficando famoso, e o Comitê de Envolvimento Comunitário (braço político do GMSMA), mesmo não considerando que a sigla definisse o que eles praticavam, decidiram, em uma reunião aberta para planejamento de um evento S/M, usar estas palavras na esperança de que fossem tomadas como um ponto de partida no S/M e que fossem úteis na redução da imagem predatória e abusiva que o S/M tinha.

Sendo assim, decidiram usar em março de 1993 como slogan principal de um evento - sendo inclusive carregado em uma faixa de 6 metros de largura em uma passeata pelos direitos  dos gays e lésbicas em Washington. Esse slogan vinha aparecendo em camisas desde o evento em 1987 e sua popularização se espalhou de maneira jamais imaginada pelo comitê ou pelo seu criador, e, com o tempo, isto começou a gerar uma comoção pela confusão gerada com a associação de "seguro" com "livre de riscos", enfraquecendo a mensagem. 

Em 1999, Gary Switch propôs, em um fórum online, um novo termo, visando retratar, de maneira mais precisa, o tipo de "jogo" praticado por muitos. Apontando o fato de que nada é 100% seguro - nem sequer atravessar a rua - Switch comparou o BDSM ao alpinismo. Em ambos o risco é uma parte essencial da diversão, e, em ambos, esse risco é minimizado através do estudo, treino, técnica e prática.

Além disso, Switch critica o fato da subjetividade do que seria são ou insano, assim como da falta de definição sobre o que se trata a segurança, sanidade e consensualidade:

"A parte da 'perversão' entrou no termo para torná-lo um acrônimo mais 'esperto' * e porque SSC não diz sobre o que se trata. É pesca de trutas Segura, sã e consensual?"
*N.T. - Rack é uma gíria para seios, além de ser o nome de algumas peças de mobília utilizadas tanto como estante ou display de material quanto para bondage e apoio para o corpo em cenas de spanking.

O intuito desta nova nomenclatura é a educação e a consciência. Deve-se fazer esfoço para saber o máximo possível do que irá ser/está sendo feito. Esteja atento aos riscos. Você consentiu ou tem o consentimento de alguém, e se está ciente dos riscos e ainda assim consentiu? Avance. Este é o "espírito" do RACK. Não existe "isto é seguro e isto não é", mas sim "isto é menos seguro que aquilo".

RACK - Risk-Aware Consensual Kink. Perversão Consensual Ciente dos Riscos

Risco: PERIGO. 
Ciente: Conhecedor de um fato, cauteloso, ATENTO. 
Ciente dos Riscos: Todos os participantes estão bem informados e conscientes de todos os riscos envolvendo as práticas.
Consensual: Autorização, permissão, ACORDO. Todas as atividades devem envolver o consentimento integral de todos os envolvidos. (Isto não isenta ninguém de responder criminalmente por danos causados na Legislação Brasileira)
Perversão: Depravação, DESVIO DO COMPORTAMENTO CONSIDERADO NORMAL. 


Em 2002, no BDSM Overdrive foi cunhado um novo termo, ainda não tão abraçado pela comunidade BDSM. Este novo termo surgiu como uma brincadeira em uma aula durante o evento, onde Taunting Sarah, a palestrante, estava falando sobre consentimento versus responsabilidade pessoal, graças à uma preocupação com o SSC, posto que a segurança não seria absoluta. O termo levanta a questão de que não basta conhecer os riscos e, ao contrário do que se pensa, AMBOS os participantes devem estar dispostos a assumir a responsabilidade ao fazer a escolha de corrê-los.

Este termo, criado começou como Personal Responsibility in Consensual Kink (Responsabilidade pessoal em perversão consensual) e foi acrescido do "Informed" (Informado) por alguém desconhecido. Começou a alcançar maior popularidade em 2009, e seus críticos sugerem que é um termo excelente na teoria, mas que, além de ser impossível estar realmente - e integralmente - informado sobre novas práticas, as respostas emocionais não podem ser levadas em consideração até o momento em que as práticas realmente ocorram, e isto tornaria inviável a real aceitação da responsabilidade pelos atos praticados.

PRICK - Personal Responsibility, Informed Consensual Kink. Perversão Consensual (de Riscos) Informados (baseados na) Responsabilidade Pessoal

Responsabilidade: Obrigação de responder pelas ações, sejam próprias, de outrem ou pelo que lhe foi confiado por alguém.
Pessoal: Individual, particular, PRÓPRIO.
Informado: CIENTE.
Consensual: Autorização, permissão, ACORDO. Todas as atividades devem envolver o consentimento integral de todos os envolvidos. (Isto não isenta ninguém de responder criminalmente por danos causados na Legislação Brasileira)
Perversão: Depravação, DESVIO DO COMPORTAMENTO CONSIDERADO NORMAL. 


Em resposta ao RACK, Lady Nichola sugeriu, em 2006, uma nova nomenclatura, criticando o fato de que os termos anteriores - RACK e SSC - não ocupavam o mesmo nicho em relação ao BDSM. Um termo descreve o que é praticado e o outro descreve a filosofia sob a qual as práticas ocorrem.
"Sendo assim, eu me envolvo em uma Perversão Consensual Ciente dos Riscos - e tento mantê-la o mais segura, sã e consensual possível."
Em seguida, critica o fato de que RACK não implica uma responsabilidade dos participantes, e que a ciência dos riscos é tão subjetiva quanto a questão da sanidade em SSC, visto que não se pode medir a ciência de cada um sobre os riscos.
Lady Nichola redefine ligeiramente a noção de alguns termos, capta, ao que parece, inadvertidamente  um termo de PRICK, e os une em um novo acrônimo.

RISSCK - Risk Informed, Safe, Sane, Consensual Kink. Perversão Consensual Sã, Segura e de Risco Informado. 

Risco: PERIGO.
Informado: CIENTE.
Risco Informado: Todos os participantes estão bem informados e conscientes de todos os riscos envolvendo as práticas, através de fontes idôneas.
Seguro: Garantido, prudente, CUIDADOSO. As tentativas de identificação e prevenção dos riscos devem ser diretamente proporcionais aos níveis dos riscos. 
São: Sadio, saudável, SENSATO. Atividades devem ser feitos em um estado mental sensato e sadio, onde quem define o que é sadio são os participantes, e focando na garantia de que a segurança do ponto de vista psicológico está envolvida.
Consensual: Autorização, permissão, ACORDO. Todas as atividades devem envolver o consentimento integral de todos os envolvidos. (Isto não isenta ninguém de responder criminalmente por danos causados na Legislação Brasileira)
Perversão: Depravação, DESVIO DO COMPORTAMENTO CONSIDERADO NORMAL. 


Em seu artigo "Safe Sane Consensual: The Making of a Shibboleth", de 2002, David Stein cita ter recebido um e-mail de um Leather Master chamado SARRAS, que informa sobre a existência de uma outra base, em alguns círculos da "velha guarda", mas que ele mesmo (Stein) não tinha conhecimento sobre a veracidade deste fato. No entanto, ainda em 2000, em um artigo "rascunho" do texto de 2002, a explicação acerca deste termo e de sua origem vem um pouco melhor explicada.

Vou transcrever o texto aqui para melhor compreensão.

"Seguro São e Consensual então, é uma tentativa de dar aos pretensos dominantes do mundo um guia do usuário para a gestão da força sexual que estão lidando, e aos pretensos submissos uma estrutura "filosófica" para confiança e as limitações do dano permanente. Por aquilo que é, como um ideal para aqueles que estão realmente utilizando-o, posso dizer por experiência e observação que Seguro são e consensual faz um trabalho razoável como uma crença amplamente difundida. No entanto, para mim, não é um verdadeiro código para a vida, tampouco uma estrutura ou um conjunto de protocolos de sabedoria capazes de efetivamente produzirem os resultados que aqueles que o usam pensam que estão almejando - por exemplo, a criação, através da prática sexual, de um Leatherman praticante de S/M, todo-poderoso e emocionalmente ressonante"
Eu cresci no meio Leather sob o predecessor - os Três C's. Você encontrará várias traduções disso ao redor do mundo, onde quer que encontre remanescentes do pensamento da Velha Guarda Leather S/M (encarnações dos antigos Clubes de Motociclistas Gays - como o Chicago Hellfire, por exemplo), apesar disso ser dito aos sussurros hoje em dia, isso se for dito. De qualquer maneira, o código sob o qual eu nasci no Leather S/M é Committed, Compassionate, Consensual (Comprometido, Compassivo, Consensual) - ou os Três C's. Para compreender este, você quase deve vir do ponto vista oposto ao seguro, são, consensual. Por exemplo, assim como muitos dos meus irmãos "dominantes", eu sei sobre raiva - o deus da guerra em nossas vidas. É uma emoção  e um espírito poderoso e nos faz humanos naturalmente poderosos, embora inicialmente entregue em uma forma grosseira, para o bem e para o mal, e os Três C's funcionam como uma ferramenta de gestão ou uma filosofia de potência sexual para dar forma e usar aquela terrível raiva que vive na maioria dos humanos. É um código para o uso inteligente desta raiva - a modelagem desta em potência sexual."

A origem da sigla é incerta. Muitos dizem ser bastante recente, mas já havia sido citada aproximadamente na mesma época da RACK como sendo "Velha Guarda".
Muitos consideram que seja uma base adequada para relacionamentos 24/7 TPE, por entregar toda a responsabilidade e segurança do bottom aos cuidados e à complacência do Top.

CCC - Committed, Compassionate, Consensual. Comprometido, Compassivo, Consensual.

Comprometido: Ligado a algo ou a alguém, RESPONSÁVEL. Quer dizer que ambos estão comprometidos um com o outro e que o Top é responsável pelo bottom.
Compassivo: Compadecido, PIEDOSO. O Top faz o que bem entender com o bottom, estando este à mercê do bom senso e da piedade do Top.
Consensual: Autorização, permissão, ACORDO. Todas as atividades devem envolver o consentimento integral de todos os envolvidos. (Isto não isenta ninguém de responder criminalmente por danos causados na Legislação Brasileira)


Esta próxima base foi uma crítica à aparente situação de "politicamente correto" prevista pelo criador. Esta base foi criada por Klaus, um Top brasileiro, na época pertencente a um dos primeiros (se não o primeiro) grupos de BDSMers aqui no Brasil, mais precisamente, na região SP-RJ. Não consegui encontrar a época exata da criação desta base, mas o SOMOS existiu de meados dos anos 1990 até meados dos anos 2000, e a única reprodução do texto está no blog do Mestre JB datando de 2008.
Klaus argumenta que "Consensual" estava deturpando a questão da dominação, onde o submisso tinha direito de opinar e estipular as regras do jogo, dizendo o que gostava ou não e o Dominador acatava, ou que o Dominador dizia o que queria e o submisso "autorizava", ou ainda que escravos impediam que seus donos não poderiam empossar-se de outros escravos, pois isto não era consensual e isto equivaleria a transformar o BDSM em casamento. Klaus vislumbrou este ângulo da consensualidade como uma forma de "curvar" o Top aos desejos do bottom.

Traz então a questão do sensual, não no sentido erótico, sexy, mas com a intenção de expressar os sentidos: tato, olfato, paladar, visão, audição. No intuito de expressar a ideia de que BDSM deve ser algo que estimule e aguce os sentidos, tendo origem no que é bom para ambos os parceiros e sendo norteado pelo bom senso e pelo sentido amplo de Sensualidade.

SSS - São, Seguro e Sensual.

São: Sadio, saudável, SENSATO. Atividades devem ser feitas em um estado mental sensato e sadio.
Seguro: Garantido, prudente, CUIDADOSO. Deve-se tentar identificar e prevenir riscos à saúde.
Sensual: Concernente aos SENTIDOS. Toda a situação que envolve os parceiros deve ser sensual, deve ser boa para os parceiros.


PAPÉIS

No BDSM encontramos 3 tipos de papeis "interpretados" pelos participantes: Top, Switcher e bottom.

Não vou me prolongar neste ponto, posto que as definições de Top estão aqui e as definições de bottom estão aqui.

Switchers são pessoas que se encontram nos dois lados do espectro, atuando tanto como Top quanto como bottom.
Isto pode ocorrer com o mesmo parceiro ou com parceiros diferentes, em uma mesma cena/sessão/relação ou em cenas/sessões/relações diferentes.
Um switcher não será, necessariamente Dominador e submisso, ou sádico e masoquista, ou bondagista e bondagette, mas pode ser qualquer combinação imaginável no escopo do BDSM e dos fetiches.




Espero que gostem!


Bandeira do Movimento Direitos BDSM


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Liturgia - O que é, no que consiste, pra quê?

Caso encontre algum termo desconhecido, recomendo a utilização do meu Glossário BDSM, que está dividido em 2 partes (vide links a seguir): Parte 1 e Parte 2.

O QUE É?


Segundo o Dicionário Priberam:

li.tur.gi.a
(grego leitourgía, -as, serviço público, serviço do culto)
substantivo feminino

Conjunto das cerimônias eclesiásticas. = RITO


Segundo o Dicionário Online de Português:

s.f. 1.A reunião dos elementos ou práticas que, regulamentados por uma igreja ou seita religiosa, fazem parte de um culto religioso. 
2. Conjunto dos modos usados no desenvolvimento dos ofícios e/ou sacramentos; rito ou ritual. 


NO QUE CONSISTE

Antes de definirmos no que consiste a Liturgia no BDSM, precisamos compreender bem de onde vem essa palavra e para quê serve.

É válido informar que o termo "Liturgia" não é utilizado no BDSM lá fora. Pelo menos não de maneira explícita. O que chamamos, aqui no Brasil, de Litugia, lá fora é separado em "Protocolos", "Rituais" e, menos expressivamente, "Estrutura" (Peter Masters engloba os três itens como "Regras de Comportamento, o que seria uma tradução mais solta de Litugia em qualquer âmbito em que o termo seja usado), sendo assim, passarei ao largo pela definição prática do termo e sua origem no mundo baunilha e, então, aprofundarei-me um pouco nestes três termos.



LITURGIA NA IGREJA CATÓLICA

Por quê só na Igreja Católica, tio Ras?
Por 2 motivos, jovem Padawan: (1) Porque a Igreja Católica é a mais expressiva das religiões (populares no Brasil) com relação aos rituais e protocolos. É ÓBVIO que existem ZILHÕES de protocolos, ritos, etc. nas outras grandes religiões abraâmicas, bem como nas de origem africana, mas aí entra o segundo motivo; (2) É a religião que eu mais conheço e, bem ou mal, é a mais difundida do planeta.
Dito isto, vamos ao que interessa:

Liturgia vem do grego e é a junção de 2 palavras: laós (povo), de onde foi retirada a raiz leit- e urgía (trabalho, ofício), ou seja, é o serviço público. Como o trabalho religioso era predominantemente público na Grécia antiga, a palavra acabou tendo seu significado extendido ao serviço religioso.

No âmbito católico, a liturgia é a representação do chamado Sacrifício de Cristo e serve para relembrar e tornar presente a memória, através de ritos e práticas específicas, aos que nisso crêem.

Visando que esses ritos e práticas sejam cumpridos da melhor maneira possível, faz-se uso de diversos artifícios que contém, cada um, um significado próprio, uma simbologia própria.
Tais artifícios podem ser cores, objetos, definições de calendários com comemorações em datas específicas, ritos e até mesmo o uso de uma lingua ou linguajar específico.

Em uma missa, a liturgia consiste na decoração da Igreja com as cores determinadas pelo calendário do Ano Litúrgico, assim como os adereços usados pelos sacerdotes tanto na vestimenta quanto no altar, e ainda a ordem sequencial que o sacerdote utiliza no decorrer do ofício.


LITURGIA NO BDSM

Definida a função da Liturgia no mundo baunilha - em um âmbito até bastante contraditório ao BDSM - podemos traduzir Liturgia como os rituais que ocorrem nas sessões, os atos cerimoniais dos encoleiramentos, as formalidades no relacionamento interpessoal (principalmente naqueles onde a divisão hierárquica está presente).
Da mesma maneira, estão presentes acessórios, objetos, datas específicas, símbolos e cores e detalhes do linguajar e da escrita.

Saber diferenciar Rituais de Protocolos se faz importante para que as intenções do Top - geralmente Dominador - fiquem mais claras e para que o bottom - geralmente submissa - os compreenda mais facilmente.
Me baseei livremente de um texto do site Submissive Guide, que me pareceu um dos melhores sobre isso e acrescentei algumas coisas de outros sites, como o Peter Masters BDSM Wiki (links sempre indicados na lateral direita).


Rituais

Pelo Dicionário Oxford, rituais são a ordem pre-definida de realização de um serviço religioso ou de devoção.
São comandados ou ensinados pelo Top são usados, geralmente, para inspirar um sentimento específico ou um estado mental específico. Podem funcionar como mecanismo para acalmar e focar de maneira mais adequada, ou até mesmo para funcionar como um lembrete do elo que une Top e bottom no dia-a-dia.
São, muitas vezes, mais simbólicos que práticos.

Protocolos

São uma série de regras de comportamento utilizadas entre duas ou mais pessoas, e que serve para indicar posição ou hierarquia. No BDSM, são mais comuns (quase exclusivos, na verdade) como regras para que bottoms se dirijam a outras pessoas, sejam estas seus Tops ou não.
Protocolos geralmente tem níveis (como Casual, Formal ou Alto Protocolo) e seu grau aumenta ou diminui de acordo com situações específicas, que são definidas pelo Top, ou por um "consenso social".
Poder-se-ia traduzir na prática, de maneira grosseira, como Formas de Tratamento.

Estrutura

É um conjunto de regras, ordens fixas e valores que o Top transmite ao bottom, visando estabelecer um contexto de autoridade mesmo quando o Top não está fisicamente presente ou não está efetivamente capaz de prestar atenção ao que o bottom está fazendo.

Vale a pena definir o que cada parte da estrutua significa apenas para facilitar o entendimento:

Regras: Servem para dar direcionamento não explícito em um conjunto de situações. E.g. "Quando for a uma festa, utilize roupas chamativas e que sejam fáceis de despir."
Ordens Fixas: Instruções a serem seguidas em situações ou momentos específicos onde não exista variação. São ordens expressas. E.g."Aos sábados você não irá vestir um sutiã"
Valores: É a parte mais importante, pois funciona nas situações que o Top não conseguiu vislumbrar previamente. Caso o Top tenha sido capaz de transmitir seus valores e formas de pensar e agir ao bottom, este poderá agir de acordo com o que for mais adequado e que melhor refletirá uma possível escolha do Top. E.g. Recusa uma cena em festa ao se recordar que o mesmo não concorda com bottoms encoleirados fazendo cenas em festas sem o Dono por perto.



Vai aí uma tabelinha pra facilitar a diferenciar uma coisa da outra.



Cerimônias Litúrgicas no BDSM

Cerimônia de Encoleiramento - Cerimonia solene onde são ditos votos de servidão da bottom, cuidado e proteção, assim como cumplicidade e união, de ambas as partes. Pode ser pública ou privada.

Cerimônia das Rosas - Cerimonia ainda mais importante, equivalente a um casamento, gerallmente privada, com no máximo um ou dois amigos do casal. Baseada e coberta de simbolismos e objetos que os reforçam, como flores brancas e vermelhas, correntes, fogo e outros elementos.


Objetos e Símbolos Litúrgicos no BDSM

Coleira - Sem dúvida, o objeto de maior importancia litúrgica no BDSM. É o símbolo magno da possessão e do pertencer, do guiar e ser guiado. Bottoms vestem a coleira no pescoço como um lembrete constante e para simbolizar para outros que confia e se entrega para o Top que a pôs lá consensualmente. São vários os tipos e significados e alguns podem ser conferidos neste post.

Guia - Utilizada em conjunto com a Coleira, faz o elo de ligação com o Top a quem o bottom se entregou.

Contrato - De submissão, de Escravidão, de Sessão, etc. É um documento sem força legal, mas com significado altíssimo e de efeito psicológico equivalente a um contrato legal para os contratantes.

Nick (apelido) - A mudança do nickname se dá como a aceitação de uma nova identidade para o bottom, simbolizando que, a partir daquele momento, não é mais apenas um indivíduo, mas uma extensão do Top.

A voz - Tops - Dominadores, principalmente - tendem a desenvolver um tom de voz específico, mais baixo e calmo, quando querem demonstrar sua intenção mais focada na obediencia.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Depois disso tudo dito, cabe reforçar que os detalhes específicos e suas variações, uma vez baseados no que foi dito acima, podem ser moldados às preferencias de cada indivíduo, exceto nas questões dependentes de senso comum e do que se considera a "Forma Padrão de Comportamento" em momentos e ambientes ditos litúgicos como festas, eventos sociais e reuniões formais.


Espero que tenham gostado.
Até a próxima. o/

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Tipos de Coleiras

Caso encontre algum termo desconhecido, recomendo a utilização do meu Glossário BDSM, que está dividido em 2 partes (vide links a seguir): Parte 1 e Parte 2.

Esta semana tive o prazer de ser convidado por uma amiga (agora MUITO mais que isso :) ) para revisar um pequeno artigo escrito por ela. Já estava com o tema em mente para escrever um texto próprio nas próximas semanas, mas visto que a oposrtunidade surgiu, topei. Tendo pouca coisa para ajustar, meramente por questões de tradução, alguns minutos depois, o texto estava finalizado e foi postado originalmente no Castelo BDSM.
Segue o texto abaixo.



"A coleira não é apenas uma coleira, não é apenas um colar dado a qualquer bottom, ela é um símbolo. É o símbolo do pertencimento, da submissão, da devoção, do carinho, respeito e posse do bottom.

Coleira não é algo que deva ser dado com leviandade, é para ser levada a sério e respeitada por Tops, bottoms e todos os demais.No universo BDSM existem diversos tipos de coleiras e, dependendo do tipo pode ser usada o tempo todo, só sendo retirada ao final da relação, ou pode ser usada apenas em momentos pré-determinados. Vamos falar um pouco delas.Existem, basicamente, duas modalidades de coleiras, as coleiras propriamente ditas, que são usadas em sessões, cenas, festas e eventos BDSM. Podem se assemelhar, no estilo, a coleiras de animais (cachorro, gato, etc.), mas terão a aparência e o modelo que o Top determinar, e são subdivididas em diversas categorias diferentes citadas abaixo. A outra é a coleira social, que tem uma aparência semelhante a uma gargantilha e serve para que o bottom a use a todo instante (trabalho, casa, mercado, praça...) sem que os baunilhas notem se tratar de uma coleira. Na minha humilde opinião é de bom tom que no momento da escolha da coleira social o Top tenha o bottom que a receberá em mente para que a coleira não seja totalmente destoante do estilo da pessoa.

No BDSM existem diversos tipos de coleira tais como:

- Coleira de proteção

A coleira de proteção representa que aquele bottom está sob a proteção de um Top e que os outros não devem se aproximar sem o consentimento do protetor. São mais usualmente usadas em plays e locais fetichistas. Geralmente o protetor é um Top de confiança do bottom e tem o objetivo de dar segurança a este nesses locais.

- Coleira de consideração

É a primeira coleira usada por um submisso a caminho de um relacionamento. Serve para mostrar aos outros Tops que aquele bottom está em negociação com alguém, ou seja, ele está sendo considerado para uma possível relação. Geralmente é usada por um período de tempo definido e, ao final deste prazo, podem ocorrer três situações: (1) O prazo pode ser estendido por decisão de ambos (Top e bottom); (2) Ambos passam para o próximo estágio; (3) A coleira é devolvida e cada um segue seu caminho em busca de outros parceiros com quem se adaptem melhor.
Tradicionalmente a coleira de consideração é feita em couro e tem a cor azul (o tom da cor não influencia ficando assim a critério do Top). É uma coleira simples, sem ornamentos, travas, adornos ou cadeado.

- Coleira de treinamento
A coleira de treinamento, como o nome sugere, indica que o bottom está sendo treinado pelo Top. É a segunda coleira usada pelo bottom durante o estabelecimento de um relacionamento formal. A partir deste ponto, as ações do bottom refletem as ações do Top.
Este tipo de coleira também pode ser usado por um botom que esteja em uma relação com um tipo de Top denominado Treinador, com quem não haverá uma relação formal, mas apenas o aprendizado de técnicas e comportamentos específicos, requisitados pelo próprio bottom ou pelo Top a quem o bottom pertence.
A coleira de treinamento tradicional é feita também em couro podendo esta ser preta ou vermelha.

- Coleira de propriedade
Esta coleira é o potinho de ouro dos bottoms (risos). É a teceira coleira que um bottom pode receber. Significa que este bottom pertence a um Top. É a representação do compromisso e do relacionamento. Existem cerimônias dentro da liturgia que são realizadas na entrega da coleira de propriedade, como por exemplo a Cerimônia de Encoleiramento e Cerimônia das Rosas (Quer saber mais sobre esta última? Domme Morgana explica ela nesse podcast http://migre.me/orCRJ). 
Dentre as coleiras de posse existem as coleiras exclusivas às relações onde o bottom recebe a nomenclatura “escravo” e que não podem ser retiradas. São presas com um cadeado ou tranca e só poderão ser removidas pelo Top. Quando - ou se - ocorrer o término da relação, a coleira será cortada ou quebrada como símbolo da libertação do escravo. 
Tradicionalmente a coleira de propriedade se apresenta em couro preto ou metal com detalhes em bronze, geralmente é usada com uma trava ou cadeado ficando com o TOP o mecanismo para soltá-la.

Coleiras “extras”:

- Coleira de sessão/cena
São coleiras usadas durante uma sessão. Tem o objetivo de representar a todos que a cena teve inicio e que um “modo D/s” está estabelecido naquele momento – mas não quando a coleira está ausente. Geralmente essas coleiras são simples, sendo apenas uma questão ritualística da sessão ou para aumentar o potencial de controle físico do Top sobre o bottom.

- Coleira de identidade
Alguns bottons optam por usar esse tipo de coleira mesmo sem ter um Top, ou seja, quando não estão numa relação (de proteção, treinamento, posse etc.). É usada, geralmente, em festas e eventos e tem como objetivo identificar o bottom como um bottom. Segundo a tradição essas coleiras são de fita preta ou de couro marrom.

- Coleira virtual
A coleira virtual é usada em redes sociais e chats e tem o objetivo de identificar no meio virtual o bottom encoleirado fazendo um paralelo com a coleira de propriedade. Ela é caracterizada pelo nick do bottom colocado entre chaves e as iniciais do Top à frente, por exemplo, a posse do “Senhor Dominador” teria como coleira virtual o nick “ {bottom}_SD ”

Não importa qual o tipo ou modelo de coleira você tem, ou se é uma coleira litúrgica, tradicional ou não. Ela deve ser respeitada e honrada por todos e principalmente pelo bottom e pelo Top. Ela é uma conquista, um símbolo e principalmente um honra.

Beijinhos lettysub"


Espero que tenham gostado e até a próxima!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Dilema #3: Da importância do equilíbrio entre teoria e prática

Caso encontre algum termo desconhecido, recomendo a utilização do meu Glossário BDSM, que está dividido em 2 partes (vide links a seguir): Parte 1 e Parte 2.

Este não é exatamente um dilema, mas um pensamento... Mas como na hora de inverter os pepeis (verão abaixo do que se trata) estive num dilema entre agir de uma maneira ou calar-me.
Este texto foi originalmente postado no mural de artigos do Castelo BDSM. Recomendo a quem quiser ler textos muito melhores que este, escritos por várias pessoas maravilhosas com conhecimento do que dizem, recomendo a todos que entrem lá e divirtam-se!



O que:

Um dia desses estava conversando com uma bottom que se intitulava iniciante e essa conversa acabou me remetendo a uma conversa semelhante que tive no meu terceiro ou quarto mês no meio – que hoje parece que faz muito tempo, mas foi há pouquíssimos meses.
Essas duas conversas tratavam do mesmo assunto, mas com posições trocadas de um personagem: eu.

Na época eu estava recém chegado, já tinha tido umas duas sessões meia-boca e, consequentemente, tinha passado um pouco do frenesi inicial do “preciso de uma sub pra treinar” e estava consideravelmente compenetrado na missão de pura e simplesmente devorar toda e qualquer informação sobre técnicas e práticas em que pudesse pôr minhas mãos – ou dedos, olhos, mouse, ou até mesmo que só escutasse como fazer – e aprender como proceder em cada uma. Até que em uma festa, uma amiga minha me apresenta uma amiga dela.

Dias depois, no Facebook, recebo uma mensagem dizendo que a tal amiga queria uma sessão. Na hora veio aquele mix de sensações: a euforia do “finalmente vou ter uma sessão de verdade!”, o medo e insegurança do “será que eu sei o que fazer?”, a agitação do “quando é? Pode ser amanhã?”... E, nessa hora, a insegurança falou mais alto “Será que eu estou pronto?”, perguntei. “Gabriel, se você só ficar lendo e não for segurar um chicote, sua insegurança só vai aumentar e vai ser cada vez mais difícil. Pára de ler um pouco e vai praticar.” E assim foi feito.

Passam-se meses e eis que caio na mesma conversa com uma bottom que se denomina iniciante. Eis que descubro que ela já tem dois anos no meio, inclusive com um mentor e estava me pedindo explicações e ajuda. Eu, do alto dos meus 11 meses, fazendo meu melhor. E então entendi o motivo: ela não tem prática nenhuma. Nil, zero, niente, null. E me vi no papel da minha amiga meses atrás: “Pára de estudar um pouquinho e vai praticar!”

O porquê:

Naquela época eu não entendi bem o motivo de ter tomado um esporro de maneira tão efusiva como foi. Estava tão vidrado em atingir a perfeição teórica que não percebi o quão importante a prática era. E só depois de praticar consegui compreender.

A comparação aqui é bem simples. Todos se lembram da época da escola, em qualquer matéria que exigisse prática como português, matemática, física, química, biologia - até mesmo geografia! – SEMPRE ficava um pouco menos confusa depois de posta em prática, certo? Ou alguém se lembra de ter compreendido de primeira, só por ter lido ou ouvido, uma explicação teórica sobre como montar e solucionar uma equação de Bháskara ou definir os termos de uma Oração Subordinada, ou ainda fazer um simples heredograma ou solucionar uma fórmula qualquer de física acústica?

Não, né? Só depois de repetir exaustivamente infinitos exercícios é que a compreensão destas coisas foi ficando mais clara, e às vezes só meses depois é que aquilo começou a fazer sentido. Por esse motivo é que foi tão fácil compreender depois da tal sessão a razão da necessidade da prática.

Poucas pessoas são tão chatas quanto eu – e menos ainda são ainda mais insistentes na questão – quando se trata de estimular o estudo e a paciência na evolução teórica das bases, das regras, do controle e, principalmente, das práticas no BDSM, mas hoje, depois de praticar o aconselhamento (assim como minha amiga fez comigo), finalmente entendi a necessidade de expor este pensamento.

Ao praticar spanking, por exemplo, tem-se a oportunidade de visualizar frente a frente – ou frente a costas, na maioria das vezes (risos) – aquele modelo bonitinho que foi mapeado por alguém em um texto teórico mostrando quais áreas podem ou não ser atingidas. Ao amarrar alguém, finalmente tem-se a compreensão de como a física age nas cordas, de como a força de atrito trava uma amarração inteira com apenas uma volta da corda sem nem ao menos precisar usar um nó forte ou um laço. Na Dominação passa-se a compreender melhor as entonações de voz, o brilho no olhar, percebe-se aquele pequeno tremor no corpo do outro que pode significar uma punição a seguir ou um conflito interno pela vontade de negar e a necessidade de acatar uma ordem. Por mais que alguém possa descrever com maestria esses efeitos (etólogos fazem isso magistralmente no campo da biologia e psicologia), só será capaz de percebê-los e compreendê-los quem já os presenciou ao vivo, de perto.

A Prática torna a Teoria algo mais simples, mais compreensível. Faz aqueles textos imensos fazerem sentido em um décimo de segundo. A Prática produz a epifania da Teoria e vice-versa.

Teoria e Prática (com maiúscula mesmo, pra importância ficar bem clara!) são duas faces da mesma moeda. São os dois lados do Yin-Yang. Só com a união dos dois é possível equilibrar a balança que nos faz melhores em qualquer coisa na vida e que, a looooooooooooooooooongo prazo nos levarão a algum lugar perto da perfeição.

Então, a todos aqueles que lerem isto, TOPS, bottoms e Switchers, iniciantes, iniciados, macacos-velhos e dinossauros do BDSM: estudem. Estudem muito. Estudem como se suas vidas dependessem disso, porque muitas vezes ela poderá, de fato, depender. Leiam tudo o que puderem ler, escutem tudo o que puderem escutar. Absorvam a informação e então selecionem as informações corretas das incorretas. Separem o joio do trigo. “Como posso fazer isso?” você me pergunta. Ora, bolas, jovem gafanhoto! É simples... Pratique!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Impact play 103 - Flogging Básico

Caso encontre algum termo desconhecido, recomendo a utilização do meu Glossário BDSM, que está dividido em 2 partes (vide links a seguir): Parte 1 e Parte 2.

Como visto no post Impact play 101, Flogging (flóguin) é uma das práticas de impacto mais comuns do SM.


O QUE É FLOGGING?

Flogging consiste em utilizar-se de instrumentos de comprimento variável, feitos de uma parte fixa e outra móvel, podendo ser ambas flexíveis ou apenas a parte móvel, como é mais comum. Esta última geralmente é feita de várias tiras de diversos materiais. Em outras palavras: floggers são chicotes com mais de uma tira.
A nomenclatura correta no Brasil para os instrumentos básicos do flogging são os rebengues (2 ou 3 tiras fixadas em um cabo articulado - geralmente de argolas) e os açoites (2 ou mais tiras - até 40 é bem comum - fixadas em um cabo rígido)

Rebengue: Foto retirada da internet. Açoites: Instrumentos de uso pessoal, feitos por mim.




UM POUCO DE HISTÓRIA

Reprodução do que seria um Flagrum romano.
Feito por Joel Donahoe @ Nature's Designs
Flogger é o termo anglo-saxão para o instrumento traduzido do latim como "Flagellum" e que era chamado pelos romanos à época do início do cristianismo como "flagrum". Era um instrumento de tortura e castigo amplamente usado e cuja crueldade era tremenda, em especial o modelo romano que incluia pregos, vidro e lascas de ossos nas pontas de chumbo.

Meninos espartanos eram flagelados como teste de masculinidade.

Judeus usavam como punição em casos que fugiam à pena capital e restringiam seu uso a no máximo 40 golpes. Devido à uma regra específica de que a punição deveria ser sempre infligida em uma sequencia de 3 golpes, o máximo prático eram 39.
Após o advento do cristianismo, seguidores praticavam a "mortificação da carne" como forma de expiação dos pecados.

Na Inglaterra uma sequencia de leis foram criadas e alteradas ao longo dos séculos para punição de vadios, ladrões e criminosos em geral, tanto na rua, quanto em celas longe dos olhos da população.

O uso dos açoites foi bastante comum durante a Revolução Fracesa e durante todo o período do Império na Rússia.

Durante a época da escravidão, o uso dos açoites se tornou cada vez mais comum como forma de punição dos escravos que teimavam, desafiavam ordens ou que tentavam fugir. Os escravos eram presos a um pelourinho e punidos em frente à população que estivesse por perto e disposta a olhar.

Durante os séculos XVIII e XIX, os exércitos europeus costumavam aplicar punições com açoites como castigo para os soldados que, de alguma maneira, quebravam o código militar. O Congresso Americano ampliou a punição máxima de 39 para 100 açoitadas durante a Revolução.

A Real Marinha Britânica tomava esta prática como uma medida disciplinar comum, que acabou por se tornar associada à insensibilidade à dor de um marinheiro "machão". Costumavam inclusive aplicar a punição "ao redor da frota" onde um marinheiro a ser punido poderia ser castigado em um navio e ser levado em sequencia de um navio para o outro para ser punido em todos.

Hoje em dia países islâmicos cuja legislação segue a Sharia ainda aplicam punições com açoites.


PARTES DE UM FLOGGER


Flogger feito por mim.



Alça de punho: serve para ser passada em volta do punho, prevenindo que o flogger caia no chão ou seja projetado para longe caso escorregue da mão. Geralmente feita do mesmo material das tiras. Podem ser estilizadas ou não. Nâo devem ser utilizadas como ponto fixo para segurar e utilizar o flogger de maneira alguma.

Cabo: parte por onde o flogger deve ser segurado. Pode ser feito de diversos materiais como madeira, plástico, metal. Pode ser oco ou não. Pode ou não ser revestido por diversos materiais como fita isolante, fitas diversas, camurça, couro, couro trançado, linhas, cordas.

Neck e butt: extremidades do cabo. Mantêm fixas as tiras e a alça de punho e geralmente são enfeitados com nós intrincados, ou mesmo com simples pontas de borracha ou couro. Quando o enfeite no Butt é grande o suficiente, é chamado de Pomo.

Pomo: serve tanto para prevenir que o flogger escorregue quanto para segurar durante o uso de maneira mais avançada. Pode ser feito com uma tira de couro enrolada, fita isolante, nós intricados diversos feitos com corda ou couro.

Tiras: são a "parte de trabalho" do flogger. Podem ser feitas de diversos materiais (couro, camurça, plástico, borracha, tecidos em geral, cabos de aço, etc.) e estilos (lisas, com nós, trançadas, com spikes).

Pontas: Podem ser de vários estilos: arredondadas, retas, anguladas, em forquilha, com nós, com spikes, com aparatos de metal, contas de materiais e formatos diversos.


SENSAÇÕES

Sting vs. Thud (Ferroada vs. Pancada)

Os floggers ficam sempre em algum lucar no espectro entre "impactante" ou "pungente, ardido"

Os tipos de cabos ficam, geralmente a critério do artesão ou do gosto do cliente, mas o que define um flogger, são suas tiras e as sensações que provocarão.
Floggers mais ardidos costumam provocar duas sensações: 1 no momento do contato com a pele e outra poucos segundos depois. São sensações mais agudas, mais superficiais, mais como um tapa estalado.
Floggers mais impactantes costumam causar uma sensação mais profunda e pesada, menos "espetada" e, usando a mesma analogia anterior, mais como um soco leve.

Existe ainda uma sensação intermediária, chamada Thump (cuja melhor definição que eu vi foi dada pelo Marco Bauhaus Mishima, significando "tabefe").
O Thump não possui o mesmo impacto profundo do Thud, mas também não produz a sensação espetada do Sting. Mas isso já foi visto no Post anterior, né? Prossigamos.


ESCOLHENDO O FLOGGER

Ok, já sabemos o básico sobre o que e quais sensações um flogger pode provocar, mas como saber o que influencia em qual sensação?
Pra isso, temos que avaliar as tiras e as pontas dos floggers em alguns quesitos.

Largura: Quanto mais largas as tiras, menos o Sting e maior o Thud. Quanto mais finas, o oposto.

Comprimento: Quanto maior a tira, mais pesada e maior a velocidade que vai atingir. Mais peso resulta em um Thud maior. Maior rapidez resulta em um Sting maior. O que definirá nestas situações são os outros fatores associados.

Quantidade: Quanto mais tiras, maior o peso e, consequentemente, maior o Thud. Menos tiras, maior o sting.

Estilo: tiras em formato de fita costumam ser menos pungentes e provocam um Thud maior. Tranças ou tiras arredondadas cortam o ar com mais facilidade e atingem uma velocidade maior, com uma área de impacto reduzida e provocam um sting maior.

Pontas: pontas arredondadas ou retas produzem um sting menor. Pontas em diagonal espetam mais, e em forquilha, mais ainda. Pontas com nós podem variar dependendo do tamanho do nó. Quando grande, provoca um Thud bem dolorido no ponto onde atinge. Quando pequeno, a sensação de sting é maior. Existe uma miríade de materiais que podem ser acoplados às pontas para sensações variadas e seria muito extenuante escrever sobre as possibilidades.

Material: O material varia TANTO que eu ficaria aqui escrevendo até estar velho demais pra levantar um flogger sequer.
O mais comum é couro. Seja natural ou sintético, cru ou tratado, de uma infinidade de animais, texturas, durezas e origens diferentes. Pode ser também de borracha natural ou sintética, látex, silicone, plástico de diversas durezas e resistencias diferentes, metal (como cabos de aço e fios de cobre) rígidos ou flexíveis, encapados ou não, cordas, tecidos (eu mesmo já tive um trançado feito com tiras cortadas de uma calça jeans velha e era sensacional), correntes de vários tipos ou basicamente qualquer coisa que possa ser juntada e acoplada em um cabo com uma certa flexibilidade.



FLOGGERS E GATOS

Aqui no Brasil essa diferenciação não é tão discutida quanto lá fora.

Explicando: Um dos nomes para floggers lá fora é "Cat o'nine tails", ou seja, gato de 9 caudas.
Geralmente são considerados gatos os floggers trançados e com nós nas pontas (que mantém as tranças e aumentam a sensação provocada). No entanto, todos estes acabam caindo no conceito comum de flogger, sendo apenas uma variação que acaba tendo seu nome também. Então, muitas pessoas consideram que Floggers e Gatos são a mesma coisa.














SEGURANÇA

Antes de qualquer coisa, volta no link que está lá no início deste post e procure a imagem da parte "Onde Bater".
...
Foi lá? Então beleza!


Em primeiro lugar:

Segurança do bottom


Para assegurar que seu bottom estará seguro e não correrá riscos desnecessários com um simples flogging: Treine MUITO antes.

Quando achar que está pronto, treine mais.


Ah, mas onde eu pratico?


Travesseiros, almofadas, sacos de areia, seu irmão menor (brincadeira!), qualquer coisa inanimada e que não tenha importancia serve.

Experimente tudo que aprender aqui. Teste cada ideia mirabolante que vier na sua cabeça. SEMPRE num alvo inerte antes. SEMPRE


Garantiu a segurança do bottom treinando muito antes? Agora vamos pra parte dois:

Segurança do Top:

Alongue-se antes. MESMO.

Faça todos os movimentos com calma.

Lembre-se de manter a respiração tranquila, calma e ritmada.

Acostume-se a expirar o ar com mais força sempre que desejar aplicar um golpe mais forte.

Se sentir alguma dor enquanto treina ou durante a sessão, interrompa aquele movimento. Faça uma pausa. Existem diversas coisas que podem ser feitas com um bottom enquanto o Top descansa.

Não se iluda: floggers grandes são legais, mas um movimento errado e você pode ter um estiramento.
(Eu, por exemplo, tenho o ombro deslocado. Se não tomar cuidado com o que faço, a sessão pode acabar na primeira tentativa)


Beleza! Passamos pela segurança em geral?

Nope. Falta só a

HIGIENE

Essa parte eu vou, literalmente copiar e colar de um texto do meu querido Marco, pq foi o melhor resumo de limpeza e higiene de materiais usados em sessão.


"(O) mais importante cuidado é higienizar a ferramenta depois da prática - e secá-la cuidadosamente. Isso não é possível de ser feito da mesma forma com todas as ferramentas dados os materiais, então deve-se ater a alguns detalhes. (Obs.: Mesmo não havendo risco de contaminação, como por exemplo no caso de ser um único Bottom, ainda há o risco de a ferramenta fermentar microorganismos na sujeira, daí a higienização ser importante.)- Borracha, Nylon e sintéticos similares - Lavagem com água e sabão, imersão em álcool e secagem completa são suficientes se trata-se de prática sem escoriações ou arranhados.
Aplique talco no que for de borracha após a limpeza para reduzir a aderência.
- Silicone ou metal - Os mesmos cuidados com os materiais acima, podendo também ser fervido para uma assepsia melhor no caso de práticas extremas.
- Algodão, Juta e fibras naturais - O ideal é lavar com água e sabão e deixar secas completamente. Devem ser fervidos em caso de práticas extremas.
- Couro, madeira e vime - Materiais quase impossíveis de serem higienizados completamente sem sofrerem degradação, e são justamente os mais comuns mais por uma questão de tradição e simbolismo, do que por uma questão de praticidade.
Não devem ser usados em mais de um Bottom principalmente se ocorrerem cortes, escoriações ou arranhados na sessão.
A limpeza é feita com a escovação e aplicação de álcool isopropílico seguida da secagem (Obs.: pode vir a ressecar ou danificar o acabamento).
Outra prática comum é lavar rapidamente com água e sabão, golpear diversas vezes o ar para secar o instrumento e deixá-lo pendurado em um varal por duas semanas.
Existe também um método pelo qual se coloca o material em banho de tinta própria (do tipo que é usada fervendo em panela) o que ao mesmo tempo esteriliza e faz a manutenção do material.
Podem também ser aplicados após a higienização produtos específicos para madeira ou couro (lembrando que esses produtos devem ser não-tóxicos e se possível, também não-alergênicos).
De um modo geral, couro, madeira e vime são materiais ruins para adeptos de práticas extremas. São indicados somente para quem irá utilizá-los em sessões leves. (Sem visar nenhuma marca tirando a vermelhidão). Ou ainda em um único bottom, em caso de sessão extrema."


COMO USAR UM FLOGGER

Essa é a parte mais esperada do post, né? rsrs


1. Com qual flogger começar

Ao começar a usar floggers, você perceberá que floggers mais curtos são mais fáceis de controlar que floggers longos. E também perceberá que consegue manejar um flogger leve muito melhor que um pesado. Comece com um flogger leve e entre curto e médio.Conforme for ganhando confiança e habilidade, passe para floggers maiores e mais pesados.

Como regra geral, sempre inicie uma sessão de flogging com um flogger leve para esquentar (isso serve tanto para a sua musculatura quanto para a pele do bottom).


2. Como segurar o Flogger

Segure na região entre o meio do cabo e o pescoço. Quanto mais perto das tiras, maior segurança você terá com relação ao local onde as tiras atingirão.

Ao adquirir mais confiança e habilidade, você acabará por encontrar a sua pegada ideal. existem técnicas mais avançadas onde a pegada se dá no pomo do flogger para facilitar os giros, mas isso será explicado mais à frente e não aconselho ninguém a tentar isso antes de conseguir aplicar os golpes mais simples com perfeição.



3. Como movimentar e bater com o flogger

3.1 Medindo a distancia

Comece de perto. Movimente o flogger o suficiente pra que as tiras encostem no alvo. Perceba o movimento. do seu braço e como as tiras balançam. Perceba que, quanto mais rápido ou mais forte seu braço se movimentar, a posição das tiras varia e chegam mais longe, certo?
Afaste-se mais. O suficiente pra que, no máximo do seu alcance, as pontas não toquem um local indesejado.

Por que isso e por que eu insisti tanto no treino, vc deve estar se perguntando.

Quando for aplicar o flogging em alguém, seu objetivo será atingir uma área específica com toda a extensão das tiras (ou o máximo possível delas) adjacentes às pontas ou apenas com estas. Medir a distancia é importante para prevenir que, ao tentar atingir as nádegas, por exemplo, as tiras se enrolem no corpo do bottom e as pontas atinjam a lateral do corpo, provocando uma sensação não planejada, nem esperada e deveras dolorosa. Acredite, doi muito.
Se duvida, peça pra alguém fazer isso em você.

Sendo assim, esta movimentação de aproximação e afastamento será feita constantemente, visando a variação de locais onde o flogger deve acertar e principalmente a correção constante dos golpes.
Usar um flogger não é uma atividade estática!


Usar um flogger é basicamente como dar um tapa ou usar uma raquete de tênis (usarei fotos de tenistas em alguns exemplos para facilitar a explicação). O básico deste movimento já foi explicado no post "Impact play 103 - Spanking", mas será repetido aqui para reforçar.

Forehand: (1) Segure o flogger com firmeza, mas sem fazer força e deixe seu braço cair ao lado do corpo. A palma da mão ficará, naturalmente, voltada para a coxa. (2) Erga o braço num movimento circular para trás. Neste momento, a palma da sua mão virará para fora. Congele-a assim. Ela deve manter esta posição relativa ao antebraço até o flogger atingir o alvo, ou seja, ela seguirá apontando para fora, (3) num movimento circular descendente e (4) terminar voltada para a frente. Dependendo do angulo aplicado no golpe (de cima para baixo ou de baixo para cima) o movimento pode então se deslocar horizontalmente, no primeiro caso ou (5) verticalmente, no segundo caso.

Um ponto importante a focar aqui é como manter o equilíbrio e a estabilidade durante o movimento.
Durante o momento (1) Seus pés estarão paralelos, corpo relaxado. No momento (2), as pernas se separam e se flexionam, mantendo os pés aproximadamente na largura dos ombros. O peso se desloca para a perna de trás. Os quadris e os ombros giram para acompanhar o movimento do braço. No momento (3), o pé da frente se desloca ligeiramente mais à frente, deslocando o peso para esta perna e flexionando-a um pouco mais. Quadris e ombros giram de volta à posição inicial puxando o ombro para a frente e movimentando o braço até o momento anterior ao impacto. No momento (4), o movimento está terminando, o impacto ocorre e o tornozelo da perna de trás se ergue em um movimento giratório, forçando o pé a se erguer e ficar apoiado apenas nas articulações plantares dos dedos.
Momento (2) foto 2, momento (3) foto 3, momento (4) foto 4, momento (5) foto 5.


Backhand: O backhand, PARA MIM, tem mais força, e, reforço, NO MEU CASO, mais precisão. Isso pode ser pela mecanica do meu corpo, por alguma angulação óssea ou apenas por uma facilidade maior no movimento. NO ENTANTO, é um movimento que requer mais intuição, por apresentar uma maior dificuldade em enxergar o alvo até que o movimento tenha sido iniciado.

(1) O seu corpo deverá setar posicionado em um ângulo de aproximadamente 45° em relação ao alvo. (2) Em seguida, seu braço irá se deslocar cruzando a frente do seu corpo, posicionando sua mão próxima ao lado oposto do quadril, com a palma virada para dentro. Quadril e ombros giram para acomodar melhor a posição, deslocando o peso para a perna de trás. (3) Seu pé da frente agora se desloca  para a frente, quadril e ombros giram para o outro lado, deslocando o peso para a frente e alavancando o movimento do braço. Sua mão mantém-se firme em relação ao antebraço, com a palma apontada para trás. (4) O movimento de rotação termina após o impacto com o ajuste da posição dos pés para uma forma mais natural, (5) e o flogger segue em movimento horizontal ou para cima.
Momento (2) foto 2, momento (3) foto 3, momento (4) foto 4, momento (5) foto 5.


Figure 8: A figura de 8 é na verdade uma figura de infinito. É nada mais nada menos que a junção do forehand e do backhand.
A movimentação de pés, quadris e ombros é reduzida, visto que um movimento se inicia durante a última parte do anterior.
O trabalho muscular é mais equilibrado aqui, e cansa menos em uma sessão longa.
Além disso tem um certo charme.

Vou descrever esta parte com lados para facilitar a compreensão.
Sou destro, então começo da direita.


(1) Comece como um forehand normal, porém ao aproximar do alvo, não direcione a mão diretamente para baixo. Ao invés disso, leve para a lateral esquerda, cruzando o braço na sua frente. Depois, ao invés de baixar a mão normalmente, e voltar para o lado direito do corpo, (2) balance o flogger para cima e (3) cruze o braço de volta numa diagona descendente da esquerda para a direita. Você vai perceber que sua mão gira naturalmente para um backhand. Ao descer a mão na direita, não repouse o braço do lado do corpo, (4) mas gire-o para cima novamente e repita o 8.

No começo isso parecerá estranho, mas com o tempo e a prática, aprenderá a implicar a mesma força no forehand e no backhand.



Giro: O giro é uma das coisas divertidas de se fazer com um flogger devido às diferentes sensações e efeitos que pode causar.
Um giro bem feito pode parecer uma brisa, um rápido toque carinhoso ou uma chuva de agulhas.
A técnica é simples e consiste basicamente em segurar corretamente o flogger e em ter um bom giro de punho.
Segure o flogger e gire-o fazendo um movimento circular com o pescoço do mesmo.
Será mais fácil iniciar os giros e então aproximá-los do alvo. Provavelmente as tiras se enrolarão no cabo ou umas nas outras. No começo é normal e alguns floggers simplesmente não ajudam. Parece que alguns inclusive se recusam propositalmente a girar direito. O grande segredo para evitar que isso aconteça na maioria deles é não manter o punho travado, mas girá-lo junto para manter o cabo do flogger em movimento também.


Existem outras maneiras e outras técnicas, mas deixa de ser básico e não seria prudente expor aqui.
Mas outras técnicas incluem o uso de 2 floggers fazendo os Florentines de 4 e 6 passos, carrossel


Acredito que, por enquanto isso seja suficiente. Falamos mais de flogging lá na frente.

Grande abraço e até a próxima!




Todas as fotos foram retiradas da internet, exceto quando indicado na legenda.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Impact play 102 - Spanking Básico.

Caso encontre algum termo desconhecido, recomendo a utilização do meu Glossário BDSM, que está dividido em 2 partes (vide links a seguir): Parte 1 e Parte 2.

Dando continuidade ao post sobre Impact play, resolvi seguir pelo caminho mais óbvio no início: o spanking.

Como eu disse no post anterior, spanking é um termo generalista para impact play, mas significa, na verdade, a aplicação de golpes com as partes do corpo, não fazendo uso de ferramentas.


Neste post eu vou focar única e exclusivamente em TAPAS. Isso aqui é Spanking básico e não vou sair ensinando o povo a dar chutas ou cotoveladas em ninguém.


Muitos podem pensar "Ah, mas eu sei dar um tapa!" quando na verdade sabem, talvez, dar um tipo de tapa.

"Ué, e existe mais de um tipo?", você pensa.

Sim. Tapas podem ser superficiais, medianos ou profundos. Podem ser com uma parte da mão ou com esta inteira.

"E o que isso significa?"

Significa que tapas produzem impactos diferentes e, consequentemente, sensações diferentes.


SEGURANÇA

Dar tapas parece uma brincadeira sempre saudável e sem nenhum risco, mas vou contar um segredo: NÃO É!

Dependendo do lugar onde forem os tapas, o risco é mínimo, praticamente inexistente, mas ele está sempre ali. E em alguns lugares, ele simplesmente é bem alto. Se você voltar no link que está lá no início deste post e procurar a imagem da parte "Onde Bater" (faça isso agora), vai perceber que existem vários pontos vermelhos, uns laranjas, uns amarelos e outros verdes. 

Eu jamais aconselharia - e na verdade eu diria pra não fazer jamais - alguém a dar um tapa na região lombar de outra pessoa. Um pouquinho mais pra lá ou pra cá, um pouquinho a mais de força e lá se vai um rim com problemas.

Um tapa mal dado no rosto pode só te deixar com um apito nos ouvidos por uns momentos ou pode quebrar ossos, deslocar suas retinas ou até mesmo produzir um dano cerebral. Não acredita? Pergunte pra maioria dos boxeadores mais velhos.

E aí você pensa "Ah, mas um boxeador levou centenas de socos na cara ao longo da vida..."
E eu te respondo: sim, mas um boxeador é treinado pra amortecer os socos ao máximo. E a maioria só chega a apanhar durante as lutas que acontecem umas poucas vezes ao ano. 

Vamos a uma situação hipotética e depois a uma real?

Imagina um Top de 1,80m (que não é nem lá isso td de altura hoje em dia) e uma bottom de 1,60m. Durante uma sessão ela vai levar algumas dezenas de tapas. Dependendo do Top, boa parte deles será na cara. Suponhamos que a bottom leve só 5 tapões na cara.
Não é preciso ser matemático, físico ou ter qualquer profissão que trabalhe com cálculos complexos pra imaginar que um braço de uns 80cm de comprimento, com uma mão de um tamanho ligeiramente maior que uma raquete de ping-pong batendo numa área com uns 10cm de diâmetro vai causar uma bela duma porrada. Multiplique isso por 10.
Imagine uma onda de impacto se espalhando por todos os ossos do rosto em um efeito dominó.
Vislumbre um encéfalo chacoalhando dentro da caixa craniana (sim, o encéfalo tá só repousando lá dentro. Se sacudir, ele chacoalha). O encéfalo é ULTRA vascularizado. Uma arteriazinha ou uma veiazinha qualquer resolve estourar lá dentro e parabéns, você garantiu um AVC à sua bottom.

Exagero? sim. Não. Talvez. Vamos a uma história real, relatada numa página do site Fruggal Domme? Vou traduzir aqui.



"Faceslapping (Tapa na cara)--Uma experiencia real 
Sim, eu consentia e gostava de Faceslapping como parte de uma de muitas cenas pesadas, e vou dizer bem claramente pra ficar registrado que isso era consensual. Era muito poderoso para mim porque meu pai costumava me bater enquanto criança e me dar tapas na cara simplesmente do nada era geralmente onde isso começou, então o ato era catártico e de grande confusão mental pra mim. O problema é que isso não era normal. Preparar o rosto e levar uma ferroada de mão aberta no meio da bochecha. Este tipo específico de tapa era feito com a mão em concha e geralmente atingia ou na maçã do rosto ou na área da mandíbula, sacudindo minha cabeça e às vezes meu corpo todo como se fosse um chicote. Sou uma mulher de tamanho mediano, nem grande, nem pequena. Sou ágil e é necessária bastante força pra tirar de cima dos meus pés e eu  era constantemente derrubada por esses tapas na cara. Eu admito livremente que eu não interrompia isso pq eu gostava do efeito que isso tinha em mim, pois isso me levava de volta a ser uma criança e ser sacudida por meu pai de um canto pro outro, e isso penetrava em mim de muitas maneiras que eu sentia serem positivas pra mim mentalmente.
O problema é que isso não era positivo pra mim fisicamente. Eu fui ao médico de olhos porque, depois de um episódio de faceslapping particularmente severo, minha visão estava um pouco embaçada enquanto dirigia para casa e isso nunca se corrigiu natualmente. Eu me recordo de literalmente ter visto "estrelas" (pontos brilhantes de luz na escuridão) e comentei que quando eles mostram estrlas nos desenhos quando alguém é atingido não era apenas um exagero. O optometrista me mandou para um oftalmologista, que, após várias visitas e longos exames ao longo de meses de tentativa de determinar a severidade e a causa de todo o dano, finalmente me disse que eu tinha uma retina parcialmente solta em um olho e ambos os cristalinos (N.T. A lente do olho) tinham sido ejetadas da pequena bolsa/encaixe que normalmente ficam, e cataratas estavam se formando no lado posterior dos cristalinos pra tentar cimentá-los de volta ao lugar. Ele me perguntou várias vezes se eu estive envolvida em um acidente de carro onde eu tenha recebido um whiplash (N.T. efeito de chicoteada que a cabeça faz quando a pessoa se envolve em uma batida de carro) e quando eu disse a ele que não, ele disse "bom, eu não acho que você seja uma boxeadora também, então tem alguma coisa que você não está me contando". Eu não conseguia me forçar a culpar o faceslapping por aquilo e certamente não ia confessar minha vida BDSM para o médico, apesar de ter discutido sobre isso com o Dom depois da minha visita inicial, e ele admitiu naquela época que ele estava preocupado de poder ser o responsável. O cirurgião queria operar logo após aquela primeira visita, mas eu estava aterrorizada de ter um bisturi encravado nos meus olhos, então eu adiei isso o máximo que pude, e durante esse tempo eu e o Dom nos separamos. e não tínhamos mais cenas juntos. Meus olhos continuaram a piorar mais e mais ao ponto de eu não poder mais dirigir, então voltei ao cirurgião e ele disse que minha visão não tinha mais capacidade de se sequer medida no meu olho esquerdo porque minha lente não era mais funcional e meu olho direito tinha tantas cicatrizes que ele estava assustado. Eu fui pra cirurgia pra remover a catarata e alguma parte do tecido cicatrizado e implantar uma lente nova no meu olho esquerdo para restauar minha visão, e terei minha cirurgia no olho direito depois que encontrar com o especialista em retinas neste mês.
Eu escrevi uma carta pro Dom e disse pra ele que não o culpava nem queria condená-lo de maneira alguma e que eu estava assumindo a responsabilidade integral, tanto emocional quanto financeira pelos riscos que corremos, mas que eu gostaria de avisá-lo pra evitar este tipo de faceslapping com alguém no futuro. Ele não respondeu bem a esta informação e nós não nos falamos mais.
Eu não acredito que o Dom em questão tenha tido a intenção de me machucar. E eu admito livremente que o medo do perigo é algo que definitivamente liga no edge play. Quando eu comecei a ter cenas com essa pessoa, ele mesmo me disse que se considerava um sádico, não um dom, e eu ainda assim aceitei o risco de ter uma cena com ele na época. Como já disse várias vezes, Aceito a responsabilidade por isso.
Mas estou um pouco mais sábia agora, eu acho, e sei que algumas coisas (como sua visão) não valem a emoção que vc recebe por estes pequeno momentos. Faceslapping agora é, definitivamente, um Hard Limit pra mim, especialmente depois dos implantes. Sempre gostarei de edge play. Sempre praticarei coisas duras e pesadas, mas tentarei ser mais esperta com relação a isso agora e vou me assegurar de fazê-lo bem e com mais segurança."


Acho que não tem mais nada a ser dito depois disso, né?
Pra evitarmos ao máximo este tipo de coisas:


COMO BATER

Antes de qualquer coisa, se fechou a imagem do "Onde Bater", volta no link que está lá no início deste post de novo e reabra-a.
...
Foi lá? Então beleza!

Nem tudo que está nesta imagem descreve exatamente as áreas úteis e permitidas para tapas, visto que todos sabem que tapas na cara são permitidos também, bem como nos seios. As áreas que devem ser evitadas de qualquer maneira, são a região dos rins e a região lombar como um todo (visto que nem todos sabem a exata localização dos nossos filtros naturais.

Tapas nos seios são, majoritariamente de um lado po outro e de baixo pra cima. A diagonal traçada entre esses 2 é ideal. Não é proibido de cima pra baixo, mas é bom evitar. Dependendo do tamanho do seio, essa região já sofrerá tensão demais com o peso suportado, então pode ser mais sensível. varia de pessoa pra pessoa, então pegue leve pelo menos no começo.

Um lembrete: jóias (anéis, pulseiras, soco inglês, dedal ou qualquer coisa que não tenha nascido ali) devems er retiradas antes de quaquer tapa ser dado).

Corte suas unhas. Não é nada legal ganhar um tapa e levar um arranhão não planejado.

Tapas com a mão bem aberta deixarão marcas avermelhadas logo em seguida. tapas com a mão mais em concha deixarão marcas mais escuras e profundas.

- E por último, mas não menos importante:
NÃO BATA COM RAIVA JAMAIS, NUNCA, EM HIPÓTESE ALGUMA, NEM QUE SUA VIDA DEPENDA DISSO


REGRAS DO FACESLAPPING (Tapa na cara)

- No rosto, foque SEMPRE o meio da bochecha (caso não saiba, é aquela parte que fica do lado da boca, sem dentes, sem ossos, sem orelha, sem nada. Só uma parede de pele e músculo.)
- Se acertar um pouco abaixo, não tem tanto problema, mas se for muito forte talvez dê um nocaute na bottom. Evite nocautear as pessoas. Não é legal fora de um ringue.
- Um pouco acima e você corre o risco e enfiar um dedo no olho da bottom. Tem um relato de um dos muitos problemas que alguém pode ter no olho escrito num fundo amarelo aqui em cima. Volte e releia até entender que isso não é brincadeira.
- Um pouco pra trás e vc acerta a orelha dela e faz aquele vácuo nada legal que vai deixá-la semi-surda por uns minutos. Um desses forte o sufiiente pode romper o tímpano, então NÃO FAÇA ISSO!
- Um pouco pra frente e você pode espremer os lábios dela contra os dentes e causar pequenos cortes ou pode até mesmo quebrar o nariz se perder a noção na força. Acho que não precisa ser um g~enio pra entender que isso deve ser evitado, certo?
- Se quiser bater com as costas da mão, tenha MUITO cuidado com suas unhas e com onde os nós dos dedos irão atingir. Na dúvida, não faça.
- Lembre-se sempre que a cabeça fica em cima do pescoço. Um tapa mais forte ou errado pode provocar uma lesão não intencional no pescoço.


Não vou discorrer sobre a mecanica do tapa pq essa é a parte mais natural, mas devo ressaltar que, quase nunca um braço esticado e tensionado irá gerar um impacto decente. Eu, por exemplo, consigo projetar uma força de tapa consideravelmente grande apenas com a movimentação de cotovelo e punho.





Segue ao lado uma ilustração dos ossos da mão. Será útil pra melhor compreensão da descrição dos tapas.




TAPAS E SUAS SENSAÇÕES

As sensações são o Sting (ferroada) , o Thump (bofetada) e o Thud (bordoada).


Sting
Você, com certeza já brincou de dar tapas fortes nas mãos de um amigo ou já deu até mesmo um tapa forte na sua própria mão, produzindo um som agudo, seco e que deixou a palma da sua mão formigando, certo?
Esta sensação é o Sting. É o semelhante é muitas pequenas agulhadas ou ferroadas em toda a superfície atingida pelo impacto.

Existem 2 tapas que podem ser dados e que provocarão uma sensação assim:
1º - Mão bem aberta, dedos bem espaçados e esticados sem tensão, quase moles. O impacto se dá em onda dos ossos cárpicos até as falanges distais.
Ao atingir o alvo com os ossos cárpicos (carpos), a onda de impacto se irradia pelos ossos longos da mão e produzem um efeito "chicotada" nas pontas dos dedos. Isto provocará sensações espaçadas e leves de ferroadas onde que que seus dedos tenham atingido.

2º - Ponha a mão aberta no alto da sua cabeça e deixe seus dedos se ajustarem ao formato do crânio. Congele essa posição e olhe bem paa ela. Parece que tem uma bola invisível entre seus dedos, né?
Essa posição gerará um tapa ardido em toda a sua extensão.


Thump
Uma sensação que fica parecida com o sting e é bem difícil de diferenciar logo de cara é o Thump. Com tapas, o Thump tem ainda um alto poder de provocar ardencia após o tapa dependendo de onde este for aplicado. É uma sensação ainda superficial, mas mais espalhada. O bottom não consegue definir exatamente a região que está sendo atingida.

Este tapa é dado com a mão bem aberta, dedos espaçados e esticados com rigidez para trás, este tapa é dado praticamente só com a palma da mão (carpos e metacarpos)


Thud
Vc já levou um tapa no braço que te tirou do lugar, mas não chegou a doer? Ou cumprimentando um amigo com um tapa na mão acabou produzindo um som grave e reverberante?
Essa sensação é o Thud (pancada, bordoada).
Com um tapa destes na mão de uma amiga, eu consegui literalmente arrancar uma pedra do anel dela simplesmente com a onda de impacto transmitida.

Forme uma concha não muito fechada com a mão (quem já bateu bafo pra ganhar figurinhas dos amigos vai saber fazer isso com maestria). O impacto ocorrerá com os ossos cárpicos mais próximos do punho, com o polegar e o mindinho inteiros e com as falanges distais dos 3 outros dedos. Óbvio que a parte interna da concha atingirá o alvo também, mas esta parte sera amortecida pelo bolsão de ar que será formado momentaneamente no meio da mão.

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Acho que por enquanto é isso. Divirtam-se, distribuam muitos tapas e que este ano seja melhor que o ano passado. Bons tapas pra vocês!






sábado, 27 de dezembro de 2014

Principais tipos de Top

Caso encontre algum termo desconhecido, recomendo a utilização do meu Glossário BDSM, que está dividido em 2 partes (vide links a seguir): Parte 1 e Parte 2.

Este post será praticamente uma alteração no texto dos principais tipos de bottom, de modo que a estrutura e a ordem se mantenha, visando um equilíbrio e uma maior facilidade na relação entre os papéis dos Tops e seus relativos bottoms.

Principais tipos de Top


O QUE É?


Segundo a definição do dicionário Merriam-Webster:

Substantivo  top  \’täp \

1 a (1) o ponto, nível ou parte mais alta de alguma coisa: cume, coroa.  
...
4 a: o mais alto grau concebível ou atingível
...
6 a (1): a mais alta posição (como ranking ou realização) (2): uma pessoa ou coisa no topo
....

Verbo

1: Ser ou se tornar mais que (um dado valor)
2: Estar na posição mais alta (em uma lista) devido ao sucesso
3: Fazer ou ser melhor que (alguém ou algo)


No BDSM, Top é o parceiro que assume o papel oposto ao bottom, ou seja, é quem aplica das práticas, e.g. bondage, disciplina, humilhação, dominação, sadomasoquismo, etc.
O Top está acima do bottom apenas durante a sessão ou em casos de D/s com regimes específicos.
O termo, assim como seu termo oposto e complementar, tem origem na comunidade gay, porém significa o parceiro ativo, o que está por cima.

Isto não quer dizer, de nenhuma maneira, que o Top seja melhor que o bottom enquanto ser humano ou enquanto praticante do BDSM.  


O QUE FAZ?

Como já definido, o papel do Top é realizar as práticas no bottom. No entanto, estas práticas só poderão ser feitas mediante o único item presente em todas as bases do BDSM: a consensualidade.
O Top recebe a autorização – ou consentimento – do bottom previamente e age de acordo, mantendo-se nos limites pré-estabelecidos entre os envolvidos.

É importante ressaltar que NEM TODO BOTTOM É SUBMISSO AO TOP e, portanto, devem ser respeitados.


Tipos de Top


NO BONDAGE / SHIBARI(KINBAKU)

Bondagista ou Rigger/Shibarista(Kinbakushi) – Pessoa responsável por fazer as amarrações, seja nas sessões específicas ou não.


NA DISCIPLINA

Não existe em português um termo ideal. O mais próximo é Disciplinador – o qual usarei, mesmo insatisfeito – mas este não é usado normalmente. Em seu lugar, costuma-se utilizar Adestrador ou Treinador, mas isto gera constante confusão.
Disciplinador – é o Top que tem prazer em tomar o controle sobre as ações do bottom, bem como de seu comportamento, ao treiná-lo/adestrá-lo/ensiná-lo a obeder regras e ordens diretas.


NA DOMINAÇÃO

Dominador – Também chamado pela forma abreviada “Dom/Domme”, é um termo que define uma pessoa recebeu autorização de controlar o outro. Ou seja, são a parte ativa da D/s. Dominadores podem variar de acordo com as características pessoais. No Brasil, as “Dommes” costumam ser consideradas dominadoras com foco em práticas sádicas.
Podem ter várias denominações de acordo com estas características:
Deus: Tipo de dominador que gosta de ser adorado, podendo se associado ou não a uma religião, onde o Top é venerado pelo bottom.
Rei: Fora do Brasil é um título que surge em roleplays grandes, onde um Top interpreta o cargo mais alto da nobreza. Geralmente são líderes de clãs, famílias ou casas e assumem este papel incluindo gestos e vocabulário específico. No Brasil, Rainhas costumam ser dominadoras com foco em podolatria e todas as práticas associadas.
Lorde/Lady, Duque, Barão: Fora do Brasil são comuns no mesmo tipo de roleplay dos reis e rainhas. Tem as mesmas características, porém posicionam-se hierarquicamente abaixo destes. No Brasil, Ladies costumam estar ligadas ao bottom por envolvimento pessoal e emocional.
ProDom/ProDomme: Dominadores profissionais, ou seja, atuam em cenas em troca de dinheiro. Geralmente possuem um amplo conhecimento e estrutura física (ambiente) adequado.
Dominatrix: O mesmo que ProDomme, porém, este termo tem sido deturpado por ser amplamente utilizado por garotas de programa e, consequentemente, as dominadoras profissionais evitam usá-lo.

Dono, Mestre – nome dado ao Top que possui um escravo. O título “Mestre” ou “Mestra” é dado ao dono pelo escravo como forma de respeito, mas deve ser sempre diferenciado do título de Mestre ou Mestra dado aos Tops homônimos citados na sessão “Avulsos”.

Adestrador, Dono – Top do Pet Play. O foco consiste geralmente em moldar o comportamento do bottom de forma a que este se porte e aja como o animal a ser representado ou como pet humano.

Daddy/Mommy – Top do infantilismo, subvertente do Age play. Retratam pai ou mãe (neste caso). Podem ser, no entanto, a representação de qualquer papel adulto que comande a cena.


NO SADOMASOQUISMO

Sádico – Top cujo foco está em infligir dor no bottom. Sádicos não tem por hábito imputar nenhuma atitude dominadora, mas aplicam comandos de ordem visando uma maior garantia de controle da dor a ser causada.


“AVULSOS”

 Estes tipos de Tops não possuem uma ligação específica com um tipo de bottom, podendo, inclusive, ter suas ligações exclusivamente com outros Tops.
  
Treinador – Similar a um Dominador, porém agem em um contexto deveras limitado. Um Dominador comanda e exerce a autoridade como parte de um relacionamento completo. Um treinador comanda e exerce a autoridade com o propósito de ensinar ou treinar um sub ou escravo em um conjunto de práticas e/ou comportamentos específicos.
O poder do treinador sobre o bottom acaba tão logo o treinamento tenha chegado ao fim, ou seja, quando o bottom tenha aprendido o que foi ensinado.

Mestre/Mestra – Tops que recebem este título tendem a ter um tempo razoável no meio BDSM, costumam ser extremamente habilidosos em técnicas específicas ou possuem um conhecimento amplo e generalizado do BDSM como um todo, tanto em âmbito teórico quanto prático. Geralmente são pessoas queridas e muito respeitadas e, em sua maioria, são extremamente solícitos e altamente dispostos a transmitir seus conhecimentos para aqueles que se dispuserem a aprender.

Mentor e Protetor – Indivíduos diferentes cujas características estão neste post separado: http://dilemasdeumdominiciante.blogspot.com.br/2014/06/do-mentor-e-do-protetor-quem-e-quem-e.html


Espero que tenham gostado.
Até a próxima!